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Sexo e Sangue (1979)

Sexo e Sangue_

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Para ainda tratar da condição feminina no cinema brasileiro, buscando filmes inusitados, vi e revi “Sexo e Sangue” (1979), comédia realizada com gana de se fazer cinema, no peito e na raça. Muitos peitos, por sinal. Despretensioso, quase trash não fosse sua correção técnica, apresenta uma visão amalucada sobre a luta de classes, misturando prostituição, polícia e orgia.

O diretor, produtor e roteirista Élio Vieira de Araújo, era então casado com a estrela do filme, Olivia Pineschi (Raimunda). Filha de Áureo Pineschi – freqüentador da boemia carioca –, Olivia trabalhou em gêneros diferentes até cair na personagem endemoniada da mulher-coragem, Raimunda. Esteve no cult cinemanovista de Cacá Diegues, “A Grande Cidade”, mas logo saiu da onda engajada e aterrissou em blockbusters como “O Trapalhão no Planalto dos Macacos”.

“Sexo e Sangue” teve um colega de elenco desse filme, Carlos Kurt – o alemão de olhos azuis, eterno coadjuvante no programa de tv do quarteto de Renato Aragão. Falecido em 2003, no Retiro dos Artistas, Kurt faz um Barão, dono da casa de praia para a qual viajam Raimunda, amigas do trottoir e o suposto “beautiful people” carioca (na verdade uma meia dúzia de figurantes toscos e feiosos), no intuito de sacudir o esqueleto e tomar todas.

Mal sabiam que, em outra parte da cidade, acabava de fugir do presídio uma gangue de delinqüentes, comandada pelo detento “cheio de sabedorias”, o Professor. Galo Branco, Paulistão, Miracema, Zecão, Chinês e Betão – o rebelde que depois tomará conta do bando – passam por percalços, enganam a equipe de captura e usam a mesma técnica de Lampião: andar pra frente fingindo pegadas, como se caminhassem pra trás.

A inserção desta armadilha não deixa de ser pitoresca, principalmente porque é explicada em voz alta pelo diretor do presídio, com quem Professor trava um duelo em particular. A inteligência dos dois é contraposta à burrice dos ladrões, brutos em excesso e supostamente monstruosos e sanguinários, apesar do roteiro ser tão frouxo que não nos faz ter um milímetro de receio ou suspense.

“Sexo e Sangue” é, na verdade, o filme de Raimunda e Dr. Jacinto (Wilson Grey). Jacinto é o gambá bêbado, que troca as pernas, mama uísque e, em todos os quadros em que aparece, está perto da piscina da mansão – numa delas xinga o caseiro Herculano, namorado do Professor. Raimunda forma com ele o casal perfeito de iconoclastas, blasfemando contra todos, como se fossem a reserva moral do que acontece ao redor.

Machíssima mas sem perder a feminilidade, Raimunda pega as tamancas, chuta, cospe, dá tapas nos desavisados que completam a rima óbvia que envolve o seu nome. Feia de cara e boa de algo mais, o tipo de personalidade que a psicologia diz ter depressão distímica (mau humor crônico) ela toma gosto em ficar balançando um chicote, objeto de afeição retirado das paredes da casa. Assim, com o chicote e o etil, Raimunda e Jacinto salvam o dia.

Infelizmente, em cena de terror chulé, Jacinto é assassinado por Betão, o que acaba gerando ódio mortal na garota, que já havia mostrado parte do seu talento abrindo a blusa, expondo seus seios monumentais e ordenando que atirassem (“Atira, porra, atira!”), para provarem que eram homens de verdade. A falta de pudor de Raimunda enfeitiça Betão, solapado por chicotadas esporádicas. Após a morte de Jacinto, tal como Geni de Chico Buarque, ela concorda em subir para o quarto com ele, no intuito de salvar a todos, para então iniciar o ritual sinistro em que mata o bandido com estocadas de faca.

A trilha sonora de clássicos do rock – “Sunshine of Your Love”, do Cream; “Lay Lady Lay”, de Bob Dylan; “The Ballad of John and Yoko”, dos Beatles – em ritmo plastificado, com sintetizadores, aumenta o jeitão descontraído e cafona do filme. Mas seria nada, não fosse pela presença da pomba-gira meretriz de Olivia Pineschi, que bate um prato de macarronada e bebe vinho pelo gargalo da garrafa.

Élio Vieira pode ser considerado com boa vontade um precursor do cinema de José Antônio Garcia e Ícaro Martins, tamanho seu desapego a seriedade e seu cuidado na composição da imagem, além das citações debochadas. A cena do trio de meninas conversando de madrugada na Cinelândia, antes e depois dos surtos de Raimunda, é impagável. Não deixa tambem de ter algo de crônica, citando lugares e fatos do Rio de outrora, com uma intimidade que de novo nos remete à Garcia e seus longos diálogos sobre a São Paulo dos anos 80.

“Sexo e Sangue” é o tipo de filme que nos faz ter vontade de conversar com o diretor e perguntar: mas vem cá, o que te passou pela cabeça? Em caso comum no cinema brasileiro, resta a questão se o homem era louco inconsequente ou talento visionário.

por Andrea Ormond

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