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janeiro
10
O rolê da esposa do Chinfronésio

CHINFRONESIO

janeiro
09
Boca do Lixo – A Bollywood Brasileira

BOCA DO LIXO

Por um momento, falava-se que cinema brasileiro só tinha mulher pelada e palavrão. Os filmes não passavam de reles pornochanchadas, em sua maioria, produzidas porcamente no centro de São Paulo, numa área conhecida como Boca do Lixo. Declarações como estas comprovam a profunda ignorância e descaso com um dos períodos mais efervescentes do cinema brasileiro. Durante os anos 1970 e 1980, entre as ruas Vitória e do Triunfo, no bairro de Santa Ifigênia, foi quando e onde o Brasil mais se aproximou de uma indústria audiovisual.

Os filmes eram produzidos sem apoio de leis de incentivo e angariavam fortunas pelo país. Formou-se um star system tupiniquim, do qual despontaram nomes como Vera Fischer, Antônio Fagundes, Tarcísio Meira, Lúcia Veríssimo, Ney Latorraca, além de um rol de estrelas como Helena Ramos, Aldine Müller, Matilde Mastrangi, Nicole Puzzi, Neide Ribeiro, Claudete Jobert e tantas outras que, por anos, habitaram o imaginário masculino brasileiro.

A malícia existia em muito dos filmes, mas a diversidade de gêneros da produção da Boca do Lixo ia muito além das malditas pornochanchadas e até mesmo o cinema de sexo explícito que se tornou vigente nos anos 1980. Westerns, filmes infantis, religiosos, musicais, de horror, dramas existenciais… em seu período áureo, a Boca fez de tudo. E mais, foi um celeiro de artistas e técnicos que possuíam um quase inocente amor à sétima arte, cuja capacidade de realizar com engenhosidade para driblar minguados orçamentos devia ser obrigatória em qualquer curso de cinema.

A Boca era a Bollywood brasileira, e isso é mostrado através de quem estava lá, fazendo cinema na frente e atrás das câmeras. Ícones como Tarcísio Meira, Antônio Fagundes, Lúcia Veríssimo, Monique Lafond, Vera Zimmerman, Aldine Müller, Neide Ribeiro, Helena Ramos, David Cardoso, Débora Muniz, Adriano Stuart, José Miziara e muitos outros nos levam em uma maliciosa e bem-humorada jornada para contar como nasceu, viveu e morreu a Boca do Lixo: a Bollywood Brasileira.

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janeiro
08
Anal amador

Anal amador

janeiro
08
Metendo no matinho

TODA FELIZ FUDENDO GOSTOSO NO MATO COM O MANE COM AIDS

janeiro
08
As Panteras – Alta Tensão

As Panteras - Alta Tensão


janeiro
08
Oh! Rebuceteio (1984)

Rebu

A glória e a decadência da Boca do Lixo – o mais importante centro produtor de cinema brasileiro nos anos 70 e 80 – encontram sua encruzilhada na produção de filmes de sexo explícito a partir de 1981, quando Raffaelle Rossi lança “Coisas Eróticas“, sucesso de público por conta das cenas “explícitas” enxertadas pelo diretor.

CeteioNo embalo de “O Império dos Sentidos”, filme de Nagisa Oshima que foi exibido no Brasil através de um mandado judicial, os produtores da Boca haviam descoberto o caminho das pedras – e passaram a realizar filmes com conteúdo pornográfico, que burlavam a proibição oficial e faziam bilheteria antes que a censura conseguisse reagir.

Some-se a isso a esculhambação brasileira, que permitia que os filmes pornôs – brasileiros ou estrangeiros – passassem em qualquer cinema das grandes cidades (não apenas em salas especiais, como ocorre na maioria dos países do mundo), e gradativamente o cinema da Boca fez a transição dos filmes de conteúdo erótico, mas cheios de enredo, para o apelo superficial à pornografia pura e simples.

Paradoxo, aquilo que pouco antes se mostrou uma saída viável para gerar mais dinheiro, foi justamente o que matou a indústria auto-sustentável da Boca do Lixo paulistana. Massacrados pelas produções pornográficas estrangeiras, que chegavam aqui a preços mais baratos, os pornôs nacionais foram deixando de ser feitos e no final da década de 80, a Boca – intoxicada, estigmatizada e esvaziada pelo modelo fácil e de baixo custo – finalmente desapareceu.

Oh

“Oh! Rebuceteio” (1984) é exemplar típico deste período de exceção do cinema brasileiro, mas que, produzido e dirigido por Cláudio Cunha, salva-se na fronteira entre o inteligente e o execrável.

RebuceteioCheio de referências sutis a universos culturais estranhos ao público que o consumiu, não é errado dizermos que vinte e poucos anos depois, o filme ainda não fechou seu ciclo, permanecendo em busca de reconhecimento, a ser revisto em mostras e exibições cult com o mesmo olhar cuidadoso que devotamos a Tinto Brass ou às produções setentistas estreladas por Brigitte Lahaie.

Repleto de meta-linguagem, espécie de “A Chorus Line” sem vergonha, “Oh! Rebuceteio” nos remete a todas aquelas histórias que ouvimos desde a infância sobre a liberdade sexual no meio artístico, notadamente no teatral. É este o mote para o semi-exploitation de Cunha: uma peça, um diretor com idéias de psicanálise reichiana e um elenco de jovens entre 20-25 anos ávidos pela fama.

OhO próprio Cláudio Cunha faz o papel de Nenê Garcia: diretor do filme interpretando o diretor da peça. O contraponto são figurantes, corpos em fúria. A atriz que vai ganhar o papel principal, sua mãe, o vilão homossexual enrustido. Nada, no entanto, é levado a sério e todo o conflito é relativizado (e, pode-se dizer, anestesiado) nas intensas orgias de sexo grupal, em todas as combinações possíveis.

Nenê Garcia é um guru da liberdade, ordena imperativamente que o grupo se solte, se liberte, enquanto ele mesmo se mantém, com pudor, nas sombras. O elenco está em suas mãos, concretizando o comando de “liberdade total” exigido pelo mestre. Transam até cansarem, em cenas de plástica cuidadosa, realizadas por alguém com evidente talento para filmar. O grande cuidado artesanal torna o sexo agradável de ser assistido, mesmo pelo espectador que não esteja minimamente interessado em voyeurismo. E os diálogos são claros, engraçados e fazem pensar além da história narrada.

Oh

Notável também é pensarmos que “Oh! Rebuceteio” foi rodado em meados de 1983, mais ou menos na época em que a Aids se espalhava pelo mundo. No Brasil chegaria com força total por volta de 1985, de modo que o discurso pesado a favor do sexo sem freios era uma espécie de canto dos cisnes, tornando o filme ainda mais interessante.

RebuBaseado na peça “Oh, Calcutá!”, o título – que por extensão é o título da peça dentro do filme – soa quase inesquecível, lembrando um jogo de palavras barato ou o famoso termo lésbico que designa a ciranda de sexo entre várias mulheres. Mas citado durante a trama, ficamos sabendo na cena final que “rebuceteio, no dicionário, é traduzido como grande confusão. Grande confusão é a própria vida, é isto aqui…um rebuceteio” – todos se congratulam e o pano se fecha.

Com trilha-sonora de Zé Rodrix, montagem de Éder Mazzini (o mesmo de “Amor Estranho Amor” e “Anjos do Arrabalde”) e filmado no Teatro Procópio Ferreira – onde Cláudio Cunha estava em cartaz com a peça “O Analista de Bagé” – este foi o último trabalho do diretor na tela grande. Quando nos anos seguintes Cunha se dedicou ao teatro, também com grande sucesso, deixou para trás uma filmografia pequena mas diversificada, que com certeza será lembrada entre os altos e baixos na produção daquele tempo pela criatividade e ousadia no trato cinematográfico.

Texto: Andréa Ormond
Publicado originalmente no site Estranho Encontro.

janeiro
06
Bacanal de Colegiais (1983)

Bacanal de Colegiais (1983)

Marcelo é um jovem narcisista e egocêntrico almeja a fama a qualquer preço. Enquanto aguarda sua chance no cinema sério, treina-se fazendo filmes pornográficos. Seu pai (um profissional qualificado) está desempregado e vive sempre irritado provocando discussões e brigas com sua mulher que protege o filho de forma exagerada, transformando-o num perfeito oportunista. Através de um anúncio, Marcelo começa a trabalhar como ‘gueisha boy’, para uma rede de prostituição organizada. Como atividade paralela, caça mulheres ‘balzaquianas’ nas ruas. Conhece Andréa, uma mulher completamente livre e emancipada. Andréa convida Marcelo para uma festa em sua casa, com propósito de usá-lo como objeto de desaforo para seu marido. Marcelo, como todo bom mercenário, pede uma quantia elevada para tal operação. Discutem e rompem. É despedido por ser temperamental e antipático. Sem dinheiro e trabalho, volta para Andréa, dessa vez, obediente e submisso. Andréa apresenta-o a um amigo, um produtor de cinema, que atualmente está rodando uma pornochanchada chamada ‘Bacanal de Colegiais’. Durante as filmagens conhece Silvia, uma moça problemática, neurótica, depressiva, de temperamento ciclotímico. À convite de Marcelo, abandona a pensão miserável e passam a morar juntos, dividindo o apartamento com uma velha solteirona cheia de manias e esquisitices. Ambos são frustrados, esperando a sorte que nunca virá – um grande papel. Os trabalhos medíocres e vulgares (filmes pornôs, shows eróticos, etc.) geram conflitos, tornando o relacionamento cada vez mais insuportável.

DOWNLOADRESENHA

janeiro
05
Mini pacote de amadoras

Mini pacote de amadoras

janeiro
04
A Quinta Dimensão do Sexo (1983)

5 Dimensao

Auxiliados pela lenta abertura da Censura, os filmes pornôs estrangeiros, produzidos aos montes na Europa e Estados Unidos desde a década de 70, finalmente puderam ser exibidos em nossos cinemas.

5 DimensaoInspirados pelo êxito obtido por essas produções, Raffaele Rossi e Laerte Callichio rodaram Coisas Eróticas em 1981, oficialmente o primeiro filme de sexo explícito nacional. Mesmo sendo uma porcaria, esse primeiro exemplar de sacanagem filmada e falada em português era novidade para o público. Por isso, 4,5 milhões de espectadores lotaram as salas de exibição para ver a fita, fazendo a fortuna dos diretores e colocando o filme entre as 15 maiores bilheterias do cinema brasileiro.

5 DimensaoA partir de então, começava o ciclo de produção em massa de filmes com sexo explícito, marcando o final da chamada Boca do Lixo paulista, que nas décadas de 60 e 70 foi responsável pela realização de dezenas de fitas de todos os gêneros, do faroeste ao horror – e não apenas pornochanchadas – sem o auxílio de leis de incentivo e trazendo excelentes resultados de bilheteria. Animados pelo baixo custo de produção e menor tempo de filmagem, vários diretores e produtores dos chamados filmes sérios aderiram à onda para sobrevivere começaram a rodar fitas pornográficas. Foi o que aconteceu com José Mojica Marins, mais conhecido pelo seu personagem Zé do Caixão.

5 Dimensao

Em 1983, Zé resolveu filmar um roteiro de autoria de Mário Lima, parceiro de longa data, associado a mais quatro pessoas, entre elas dois feirantes. A história era um drama erótico sobre dois estudantes de medicina que transam com várias mulheres, matando acidentalmente duas delas. Já nas cenas iniciais, percebe-se a paixão entre os dois, mostrada de forma velada, semelhante aos atormentados amigos e parceiros de crime em Festim Diabólico (1948), de Alfred Hitchcock.

5 DimensaoA princípio o filme não teria cenas explícitas, mas, por exigência da distribuidora, Mojica resolveu incluir 20 minutos de sexo explícito na montagem final, fazendo de A Quinta Dimensão do Sexo sua primeira incursão no mundo da pornografia, mas com um detalhe curioso: o filme era voltado essencialmente para o público gay. Isso em uma época em que nem se sonhava com a sigla GLS e pouca gente ousaria criar entretenimento para esse segmento. “A fita era uma homenagem a eles. Eu tenho um público gay que gosta dos meus filmes. Também queria homenagear Roque Palácio [apresentador de TV e co-produtor de filmes com Mojica], que era homossexual”, lembra Mojica.

5 DimensaoA trama do longa pornô era curiosa: cansados de serem ridicularizados pelos colegas de faculdade, que achavam que eles além de impotentes eram gays, Paulo e Norberto resolvem criar uma fórmula afrodisíaca que enlouquece a mulherada. Empolgados, raptam e seviciam duas garotas. Uma delas, ao conseguir escapar de seus seqüestradores depravados, é morta por uma cobra, enquanto eles dão boas gargalhadas e fritam uma omelete. Outra gosta mesmo da transa e morre de prazer na manhã seguinte. No final, os confusos rapazes percebem que essa bendita fórmula só serve pra causar problemas, e que gostam mesmo é um do outro. Mas é tarde demais: a morte das moças pôs a polícia em seu encalço. Perseguidos, o carro onde estão, cai acidentalmente de uma ribanceira e o casalzinho morre.

Considerando que tratava-se de um filme voltado para o público gay, por que Mojica não colocou cenas explícitas entre homens? “Preferi mostrar só o beijo e deixar o resto no suspense”, lembra Mojica. Uma idéia até acertada, pois se a Censura implicou com um beijo, imagine com dois homens transando. De qualquer forma, o filme foi um fracasso de bilheteria e nem chegou a pagar os gastos com a produção, ficando menos de um mês em cartaz. Na época em que foi lançado, A Quinta Dimensão não vingou ao tentar concorrer com Oh! Rebuceteio, de Cláudio Cunha.

5 Dimensao

O sucesso do filme de Cunha acabou tomando o lugar de A Quinta Dimensão no Cine Dom José, um dos preferidos pelos gays. “Transferido” para o Cine Windsor, o filme levou outro golpe de azar: quinze dias antes da sua estréia, a direção do cinema proibiu os gays de transarem dentro da sala de exibição. Resultado: a bicharada boicotou o cinema e preferiu ir fazer pegação no Dom José mesmo.

5 Dimensao

Apesar desse fiasco, o filme rendeu homenagens a Mojica. “Recebi um troféu, O gato gay de uma casa noturna, e um livro de poesias. Gays de todo o país apoiaram o filme”, afirma Mojica.

Após tanto tempo, Mojica ainda lembra uma última história interessante sobre a gravação do filme. “Precisava gravar um close da bunda de uma atriz sendo ‘ensanduichada’ pelo Márcio e o João Francisco”. Na hora de gravar, porém, a atriz sumiu do set. O que fazer? Um dos figurantes, dono de um traseiro invejável, topou substituí-la. O problema é que os atores, digamos, se empolgaram demais (leia-se ficaram com os paus duros), dificultando a realização da cena. Irritado, José Mojica Marins incorporou o Zé do Caixão e ameaçou, levantando um facão: “Vamos tratar de gravar logo essa cena, que hoje eu tô com vontade de comer pau à milanesa!”. Depois de tão sutil estímulo, os atores se acalmaram e a tal cena de nádega explícita pôde finalmente ser gravada.

Erik J. Borges

 



janeiro
04
As Panteras – Quando As Mulheres Tinham Rabo

Panteras Rabudas

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