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outubro
16
Excitação (1977)

Excitação

Jean Garrett é o cineasta que teve melhor o seu trabalho reconhecido nas revisões atuais do cinema da Boca do Lixo. Nascido em Portugal, veio ao Brasil quando adolescente, iniciou carreira como fotógrafo até fazer parte da equipe (ator e contra-regra) de Pesadelo Macabro, curta dirigido por José Mojica Marins para a Trilogia do Terror. Excitação é seu quarto filme, e o primeiro sem o ator David Cardoso. Aqui, Jean dá escopo à habilidade de filmar que pincelou em suas obras anteriores. Aqui o realizador flerta com o suspense/terror.

Começa com o suicídio de um homem, enforcado. Depois os créditos em cima de uma imagem impactante de um olho e então vemos o casal (Kate Hansen e Flávio Galvão) burguês, distante, paulistano, comprando uma casa de praia para que a mulher, recém recuperada de crises nervosas, possa ficar mais tranquila. O que ela não sabe é que a casa é a daquele suicídio que vimos anteriormente. E por isso uma verdadeira revolta das máquinas irá ocorrer, principalmente nos momentos da mulher sozinha ali. A esposa do falecido, Arlete (Betty Saddy) mudou de casa, mas continua a viver na mesma praia em questão.

A revisão de Excitação, hoje, passados mais de 30 anos, revela um filme de incrível apuro estético, construção de clima acima da média e em diálogo profuso com o carma de nosso novo século que é a supremacia da tecnologização de nossas visas. Renato, o personagem de Galvão, é o arquétipo do homem dessa nova era: engenheiro de computação, toma dezenas de pílulas aos dias para prevenir doenças e tem relações superficiais com outras pessoas. Seus momentos de maior prazer não são nem com sua mulher, nem com Arlete ou a prima desta (Zilda Mayo), com quem comete adultério na película, mas sim com os (jurássicos) computadores de sua firma, a maior da América Latina no ramo.

Não é por acaso que, nas situações de trans-espiritualidade (embaladas por uma acurada trilha sonora de Beto Strada), a corporificação do homem enforcado (que aparece em visões) se dê justamente nos eletrodomésticos da casa, sempre atacando a personagem de Kate Hansen, que é desacreditada pelo seu marido. O filme então, em primeiro plano, situa-se neste entrave do passado psicológico da mulher e a descrença que provoca seus contínuos alertas. A maldição da casa se diz na forma da tecnologia, a princípio.

O curioso é que, quando as denúncias da mulher ganham escopo por sua vizinha testemunhar um dos levantes, a maneira que lançará mão é justamente um ritual de macumba para benzer aquele lugar. Esse percurso é clássico aqui no Brasil por todo o cinema (e vida) na desconstrução dos dogmas da ciência e tecnologia: sempre recai-se no sincretismo religioso para resolver as pendências. Humaniza-se, de alguma forma aquela situação, que já aí nos revela: quem não debanda para a espitirualidade (no caso, misticismo) em uma situação limite é o verdadeiro “vilão” daquela (e por que não da nossa?) contemporaneidade.

Muito se diz mal do enxerto das cenas eróticas no filme. Realmente elas fazer com que o ritmo e o suspense percam um pouco. Ao mesmo tempo, é nelas que conhecemos mais dos personagens, sobretudo de Renato, que em todas as áreas de sua vida, parece mais um computador do que gente. A fotografia de Carlos Reichenbach casa perfeitamente na construção de clima e, claro, a locação isolada (na praia, além destes quatro, só existe um pescador) traz uma clausura e construção de significados fundamentais à obra.

Uma cena paradigmática disso é quando a lancha de Renato para em meio ao mar em seu passeio com Lu, a prima de sua vizinha. A eroticidade que invade é fria e distante. O sexo e sedução, ao invés de animal – que é o que se espera da personagem feminina, extremamente libertária – é de todo maquinal. Ao mesmo tempo, é a clausura no lugar que, ao contrário, poderia simbolizar justamente a liberdade (ideia do horizonte sem interrupções). E isto devido a um comportamento de não saber mais como se portar sem ser através das máquinas. A saída só pode vir com o pescador (único aqui ainda ligado a uma ideia de Natureza, com n maiúsculo) rebocando a embarcação.

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