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E Agora, José? (Tortura do Sexo) (1979)

Tortura do Sexo

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Em 1982 Roberto Farias dirigiu “Pra Frente, Brasil”, considerado por muitos o melhor filme nacional a observar – com paixão, mas já com certo distanciamento – o caos da tortura nos governos autoritários de 1964-85. O roteiro claustrofóbico e a interpretação antológica de Reginaldo Faria, somados ao momento histórico de abertura política, transformaram a obra em sucesso de crítica e público, vista naquele ano por mais de 1 milhão de pessoas.

Do que trata “Pra Frente, Brasil”? Um homem inocente, quase apolítico, preso por engano pelos orgãos repressivos, paga com agonia e morte sua própria ignorância – melhor dizendo, sua omissão. Não deixava de ser bem construída parábola ao poema do pastor luterano Martin Niemöller, “Quando os Nazistas Levaram os Comunistas” – merecedor de uso sempre que os limites extrapolam: “Se agridem o vizinho e não reagimos, as próximas vítima seremos nós”.

A surpresa é que, três anos antes, em 1979 – o ano da Anistia -, a Boca do Lixo paulistana fez sua própria investigação sobre o tema. Produção David Cardoso, dirigida e roteirizada por Ody Fraga, “E Agora, José?” tem tantas semelhanças com seu sucessor que podemos ver, no escurinho do Cine Marabá, Roberto Farias assistindo ao original de Ody e pensando: “Gênio! É isso! Quero fazer um igual lá no Rio, com dinheiro da Embrafilme!”.

Sarcasmo à parte, o exemplar da Boca reitera antigos vícios: niilismo decadente, obsessão pelo erotismo misógino – flerte com o gênero wip – e acaba sendo mais divertido do que o primo carioca. O que em “Pra Frente, Brasil” é seriedade, denúncia (história), aqui vira simplesmente (mau) cinema.

Inteligente, e, no bom sentido da palavra, picareta de carteirinha, Ody Fraga prova que foi melhor roteirista que diretor, dedicando ao personagem-título (vivido pelo futuro ex-Bozo, Arlindo Barreto), uma multifacetada personalidade. Bobo alegre, o desafortunado José assegura o tempo todo sua paixão pela literatura declamando trechos de livros. Ao mesmo tempo isso o faz sublimar a enrascada onde se encontra e atiça a gana dos carcereiros ignorantes, que o tomam por um subversivo pernóstico.

Na verdade, José foi preso no lugar de um amigo, Pedro – os nomes bíblicos geram significação vazia. E, seguindo a Lei de Murphy, é perseguido pelo chefe corno (Luis Carlos Braga), que usa de influência para encarcerar a própria esposa nos subterrâneos do Dops. Por mais que as situações sejam risíveis e rocambolescas, não há nenhum exagero: em todas as ditaduras, sejam de direita ou de esquerda, vinganças pessoais movem boa parte das perseguições políticas.

Importante dizer que, em 1979, a tortura já vinha sendo amplamente discutida no país, e o filme tão somente repercute – ao modo dos empreendimentos made in Boca – este debate. As cenas de abuso são particularmente fortes, e estandardizam o velho dilema: necessidade de erotismo – sexo e mulher nua – confunde-se com as possibilidades e peculiaridades de cada obra, oscilando entre discreta sugestão e tônica dominante.

Uma esquizofrenia que também justifica o subtítulo: “A Tortura do Sexo”, tornando claro que existem dois filmes: o primeiro denso, rico, engajado; o segundo, reiteração monótona de sevícias, peitinhos à mostra e jogos sexuais infanto-juvenis. Dirigido por Jean Garrett, é provável que as duas partes se equilibrassem melhor. Nas mãos de Ody Fraga soam desconexas, para não dizer ridículas.

Nos últimos anos, a ditadura militar brasileira e suas terríveis conseqüências acabaram se tornando prato cheio – fonte de renda fácil – para inúmeros cineastas, que a exemplo de Ody variam entre o tolo e o sublime. Patinho feio lançado em abril de 1980 nos cinemas, “E Agora, José?” foi um desses pioneiros nunca citados, sequer lembrado por críticos ou curadores das tantas retrospectivas sobre o assunto. Por isso mesmo agora merecedor de nossa atenção e revisão.

Andrea Ormond

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