Entrevista com Renalto Alves, o braço direito de Sady Baby
Z – Você conheceu o Sady pelo Zé Adauto?
RA – Zé Adauto Cardoso que me levou ao Sady. Aí eu era assistente do Alcides Caversan, de assistente eu fui virando, virando. O Sady é um camarada de muito valor, que marcou muito, muita coisa que fizemos juntos. Inclusive as loucuras de cinema que as meninas não sabiam o que ia rolar, nós dois cochichávamos, a gente se entendia, ligava a câmera e saia. Quem ligava a câmera era eu, e quem gritava ação era ele. Aí o pau comia.
Z – Tem uma parte de um filme de vocês (O Ônibus da Suruba) em que a menina enfia o telefone na vagina. E depois chega o Feijoada e diz que quer falar no telefone. De onde vocês tinham essas idéias?
RA – São assim: a cabeça dos atores, a hora que você convida ele pra trabalhar ele vem. Depois você começa a conhecer e vê que ele vai um pouquinho mais, que ele segue um pouquinho mais daquilo que você está pretendendo para o texto dele. Aívocê como é da produção, produção tem que ter mente fértil pra coisa. Isso ajuda a melhorar, a enlouquecer, porque são aberrações sexuais. Aquilo que às vezes uma menina e um rapaz fazem num quarto, ninguém nunca mostra mas é igualzinho o que a gente fazia no cinema nosso. Bota pé na parede, enfia o negócio lá. Depois você não lembra de nada, mas todo homem e mulher já fizeram alguma loucura entre quatro paredes. Mas como ninguém filma, então nessas bases que a gente entra.
Z – Tem uma outra coisa que o cara faz as necessidades de cima do ônibus?
RA – Ele fez uma força de meia hora. Perdeu muito material (risos). Ele queria que o Sady parasse o ônibus, mas o Sady não parou e então ele foi na janela. Aí eu peguei ali segurando e com a mão esquerda segurando a câmera, que era uma Arriflex pesada que é negativo, ali não é digital. É fita mesmo, película que você não pode errar, não pode deixar cair e a gente filmou aquilo lá.
Z – O senhor começou como assistente. Com fotógrafos, o senhor começou com o Gauchinho, depois com o Bajon. O senhor fez com Renato Bastos. Quais deles o senhor mais aprendeu ? Tem algum que o senhor considera mestre?
RA – Todos, todos. Todos tem um jeito de trabalhar, tem uns mais violentos que você pega a manha violenta, outro você pega a manha mais calma. O sistema do Mojica dirigir é bem sutil, eu achava interessante porque ele tira bastante coisa sendo sutil. Já o Alex Prado muitas vezes é bruto, e o Sady é um cara mesclado, como camaleão muda. Tem uma cena de um filme que está todo mundo nu e ele chega com um revólver 38 cheio de festim, carregado até a boca de festim e chega pro pessoal: “Todo mundo endurece o pau”. E começa a dar tiro nos caras, como que faz? Isso aconteceu em filme nosso.
Z – Com o Rubens da Silva Prado o senhor trocava muita idéia de cinema? Tentava colaborar no roteiro?
RA – Muitas vezes. Ele também é muito sociável no que diz respeito de trocar idéias. Muita aberração ele não gosta, como o Sady. Não gosta mas fez, embora isso não tenha grande efeito com ele. Agora banditismo, briga ele gosta muito bangue-bangue pesadão mesmo, bangue-bangue mesmo. Às vezes a gente sai no soco e fica inchado.
Z – Mas ele não liga?
RA – Faz, gosta. E cenas interessantes com ele, animais acho que foi um, já eu e o Sady fizemos várias cenas de animais. Tem uma de um burro que a X-Tayla tenta conversar com um burro, convencer ele. O burro nós pegamos emprestado de um caipira, e aí o jegue não queria papo com ela. O Sady fez vários, tem do touro. Do touro que fala, a voz do touro foi eu que pus. Foi muito bom, deu um sucesso violento. Dos cavalos teve vários.
Z – O Bajon também…
RA – O Bajon teve, vários filmes de cavalo. Mas nós começamos com os cavalos, eu e o Sady… mas foi com o Alex Prado o primeiro filme, o segundo entrou o Sady. Aí o cavalo pegou.
Z – E é difícil rodar com animal?
RA – Ah, animal tem uma questão de cio. O homem excita a qualquer momento, o cavalo tem um cio. Agora um cavalão, o cavalo mesmo não tem muito cio. Basta uma égua passar perto que ele fica, se liga. O cachorro é mais complicado. Eu fiz cachorro com o Mojica, no filme que o Mário Lima produziu (24 Horas de Sexo Explícito). Aí o cachorro estava arranhando as costas da menina, então botamos luva nele. Dá trabalho, mas é interessante e tem muita coisa pra contar, muito acontecimento. Uma vida grande de vários produtores com vários conhecimentos. Então, eu vim adquirindo com mais um por um conhecimentos por mais que eu lia, que eu pesquisava. Com o Sady foi com quem eu mais filmei, nós fizemos uma seleção de filmes e até então não tinha tanta produção atrás da outra. Nós chegamos a fazer várias fitas por ano.
Z – Achar menina pra contracenar com animal é difícil?
RA – Na época foi difícil. É complicado porque a menina se não for de um sítio, da fazenda… que nem São Paulo, aqui poucas pessoas tem conhecimento de um animal. Você tem que ter cuidado com ela, porque o animal pode pisar nela, dar um coice, houve casos de gente se machucar; com nós nunca, graças a Deus, nunca. Mas é bonito.
Z – No filme do Sady 100% a grana não era dele?
RA – Muitas vezes. Mas a loucura inteira; as broncas que vem, porque vem muitas broncas e só ele que é o titular. O pessoal ajudava mas depois saia fora.
Z – O senhor fez o filme dele que deu o problema com o menino? (me refiro ao problema do uso do filho do ator Celso Sappo, um menor num filme de Sady)
RA – Não… eu cheguei de tarde, ele fez a cena de manhã. Eu era assistente do Alcides Caversan na produção do Sady que é o “Come Tudo“. Eu cheguei de tarde porque o rapaz que ia rodar com ele não foi, e ele me ligou pra eu ir depois. Tinha rodado a cena de manhã, mas me chamaram no fórum tudo e fizeram todo aquele negócio comigo lá. Mas eu fiquei firme porque são meus amigos e eu acho muito difícil você ter um amigo sendo processado por um negócio e você não estar ali com ele. Quando o cara é mau caráter tudo bem, mas você vendo a integridade das pessoas, e ele foi mal compreendido na coisa ali, é um negócio muito sério. Foi uma coisa muito séria e eu não tava, mas depois o Sady levou aquele processo, parou a fita, o Zé Adauto saiu da equipe, o Alcides Caversan também e ele ficou sozinho. E foi quando ele me convidou pra fazermos “Emoções Sexuais de Um Cavalo“. Aquela briga toda foi o meu trampolim pra eu encostar no Sady.
que é imensa e pode ser lida na íntegra no site Zingu!









































