“Eu nunca gostei de dinheiro. Eu faço as coisas por tesão”, assim se define Sady Baby, 53 anos, cineasta, produtor e ator de filmes e peças pornográficas. Com uma ficha criminal enorme e procurado pela Justiça, Sady recebeu a reportagem da Zingu! com uma série de exigências. Cumprimos todas e ele nos deu a tão sonhada entrevista, nos tratando de maneira educada e bastante cordial. Os assessores de imprensa do produtor acompanharam toda a entrevista, ao lado de seu estimado mestre.
Z – A sua idéia de produzir filmes veio depois que você não conseguiu ser jogador de futebol?
SB – É. Eu me criei com uma família muito bem no Sul. Quando chegamos a Sampa, foi no Jaçanã. Dos 13 aos 28 fiquei com eles, mas queria ter minha independência. Tinha carro zero, dinheiro, mas eu queria outra coisa. Meu mundo é filmar, criar e comer buceta. Meu negócio se chama bu-ce-ta.
Z – Você partiu pro cinema por isso?
SB – É. Nunca fui obcecado por dinheiro. Eu sempre fui obcecado por fazer uma coisa que eu gosto, porque você não ganha nada nessa vida sem ser fazer uma coisa gratificante com você. Porque se você faz o que você gosta, você é feliz. Na época, não tinha muitas condições pra fazer o que eu queria. Os dois últimos filmes que fiz, “O Ônibus da Suruba I” e o “Ônibus da Suruba II”, eu já tinha mais condições, só que aí acabaram as salas de cinema pra exibir. Entendeu ? E agora eu quero reentrar num mercado que quase não existe.
Z – Qual dos seus filmes que deu mais sucesso?
SB – O que deu mais sucesso, mais retorno no caso foi “O Ônibus da Suruba II”, no final, em 92. Eu fiz cenas de sexo explícito numa rodovia federal a uma hora da tarde. Estou falando sério, e com gente pelada no meio da estrada. Um bando de loucura, é esse meu mundo. Eu fui viajar pela América do Sul e fazer teatro. Quero fazer sexo no gelo, na Cordilheira dos Andes, um monte de coisas que eu quero fazer, um monte de projetos, mas deixa eu começar. Uma das coisas que vou fazer e eu sei que vai dar muita confusão é o filme do Maomé bissexual.
Z – Você embora seja heterossexual, nos seus filmes tenta mostrar todos os lados do sexo. De onde vem essa idéia?
SB – Há vinte anos atrás eu estava na cabeça dessas distribuidoras, quando botava um gay no filme os caras me enchiam o saco porque eu botava veado. Mas eu sabia que o caminho era esse, porque hoje está sendo isso. Mas eu botava porque é uma realidade, eles não queriam aceitar isso. Porque essas pessoas não vêem o lado profissional, só o lado comercial das coisas. Eu sabia que o gay ia tomar conta e hoje, conversando com os europeus, de dez filmes eles querem oito de gay.
É assim que está o mercado, não vou fazer filme só pra consumo nacional, vou fazer nacional e lá fora. Quando for o momento pra lançar eu quero já estar bombando legal, filmar com a minha filha, inclusive. Tem até o nome do filme, se chama “Atração Sexual”, onde essa filha minha, filha legítima, vai transar no filme, porque eu quero entrar sempre em cima de polêmica sem pegar estrela.
Z – O primeiro filme que você produziu, “Escândalo na Sociedade” não era de sexo explícito. Mas se tornou depois, por pressão do mercado.
SB – Eu lancei no Marabá, gastei um monte e não deu retorno nenhum. Aí parti pro segundo, “Paraíso da Sacanagem”, que foi lançado aqui no Cine Dom José, ficando duas semanas em cartaz .
Aí eu fiz o filme do garoto (Sady refere-se ao filme “Come Tudo” em que uma atriz maior de idade faz cenas de sexo explícito com um garoto menor de cinco anos de idade), deu um bafafá do caralho, veio polícia atrás de mim direto, deu um processo e aí eu fui caminhando.
Z – Desses seus filmes seus tem algum favorito?
SB – Uma das coisas que eu mais gosto se chama “Emoções Sexuais de um Cavalo”, que foi o primeiro filme que dirigi e que deu um retorno muito bom.
Uma pena que os trambiqueiros não fizeram em DVD, porque a maioria desses filmes que estão em DVD são piratas. Mas normal, faz parte da vida e não estou nem aí. Deixa os caras.
Z – A sua primeira real parceria de direção foi com o José Adalto Cardoso. Como foi isso?
SB – Foi porque eu não sabia dirigir. Eu sabia dirigir um carro, mas não sabia dirigir um filme. E foi em contatos daqui, contatos dali. O cara mais louco que dirigiu filme pra mim chama-se Arlindo Barreto, hoje ele é pastor de uma igreja lá em São José dos Campos. Esses dias eu fui lá pra ver os negócios de um ônibus e encontrei ele. Ele falou: “Esses crentes do caralho, esses bundões dos caralho”. Ele é um puta porra louca, continua meio porra louca fazendo as partes dele lá. E o Zé Adalto é um cara legal, gosto muito dele inclusive falei com ele esses dias. Ele tá uma bolinha.
Z- Mas ele dirigia os filmes que vinham na sua cabeça ?
SB – Mas ele ia muito na parte dele, entendeu ? Inclusive aquele filme do garoto, foi ele que dirigiu . Eu dei a idéia, mas foi ele que dirigiu. Só que estourou na minha, eu falei: “Deixa que eu compro essa bronca aí”. Quando eu fui viajar o processo estava continuando e eu deixei o processo correr, não estava nem aí. Lá no Sul um cara me ligou: “Olha Sady, você foi condenado a três anos e nove meses”. Fiquei bem comportadinho, dirigi o ônibus, fiz espetáculos, tal. Em Balneário de Cambúriu, quatro anos atrás um funcionário meu se envolveu com uma menor em uma panfletagem. Levaram pra delegacia e a delegada me ligou: “Você pode vir aqui ?”. Eu perguntei: “Se é pra ir preso eu já vou com a roupa” (risos). Ela falou: “Não”. Cheguei lá, era uma intimação, eu falei que o cara trabalha muito tempo comigo, não sabia que ele estava se envolvendo com uma menor e saí.
Isso foi as duas e pouco da tarde, quando chegou as seis e pouco da tarde eu estava tomando banho no meu apartamento que era em cima do teatro. A menina que estava fazendo o almoço me falou: “Sady, tem um cara querendo falar contigo. Respondi: “Se for polícia manda esperar”. E não era que era polícia rapaz ? Um guarda-roupa, um elefante lá embaixo…e caralho. Cheguei lá embaixo ele falou assim: “Você pode me acompanhar ?”. Eu perguntei: “Pode ser no meu carro ?”. Ele simplesmente respondeu: “Não, tem que ser comigo”. Pensei que eu já estava preso, me algemaram por trás como bandido, sabe que por trás é bandido ? Chegando lá, eu falei pra delegada: “Sabe delegada, eu tenho direito a uma ligação”. Mas aí tocou meu telefone na hora e olha aqui o que está escrito no telefone: bucetão ! (rindo). Eu sei que quando ela pegou no meu telefone, a vontade dela era pegar o telefone e enfiar dentro da minha boca. Mas como tinha mais gente, ela não pôde fazer isso, me liberou, eu liguei pra um advogado e eu quis ligar pro diretor do presídio, que era meu amigo pra arrumar um lugar legal pra mim lá.
Resumindo: eu cheguei no presídio o meu amigo estava de férias, mas ligaram pro cara e ele me liberou. Eu fiquei dois dias em cana por conta desse processo aqui em São Paulo do garoto, não fiquei os três dias, paguei um monte e saí. Então, esses conhecimentos foram importantes entendeu ? Esse filme do garoto foi um erro que foi feito, mas um erro que todo mundo fez de boa vontade, ninguém fez nada forçado. O pai do garoto estava junto, então são coisas que aconteceram.
Z – Não foi premeditado?
SB – Não, aconteceu. Se me falarem que vai dar problema não tem problema. A gente se informa e eu não me arrependo de nada que eu faço.
Z – Como é a sua relação com o David Cardoso?
SB – O primeiro filme que eu fiz eu peguei equipamento alugado do David Cardoso, paguei tudo direitinho pra ele, um cara muito legal, gosto dele, admiro ele. Só que hoje ele está muito mal de cabeça, está bebendo. A partir do momento que você entra nesse meio, você tem problema por ficar parado. Se eu não ficasse em Balneário do Camburiu por não estar mais viajando eu ia ficar neurótico, neuro. Estou com tudo na mão agora, o mais difícil já foi, graças a Deus está tudo comprado e eu vou fazer umas produções diferentes em cima daquilo que eu gosto de fazer que é o cinema, é o pornô, as mulheres, uma coisa diferenciada e vai dar certo. Ano que vem vou estar na Feira Erótica com o “Soltando a Franga”.
Z – Você acha que com o Renato Alves você estabeleceu uma parceria maior do que com o Zé Adalto?
SB – Adalto era diretor e o Renato é câmera, ele ajudava na direção mas o negócio dele é câmera. Ele é meu câmera até hoje, inclusive está com um material novo meu fazendo testes, que eu comprei pra pegar todos os dados, direitinho, como que vai ser feito, manuseio. Porque hoje é uma outra linguagem, não é 35 mm, é DVD, é diferente, com menos luz. O Renato vai continuar comigo.
Z – Onde você conheceu o pessoal que fazia filmes com você ? Porque era um elenco quase fixo: Feijoada, X-Tayla… Onde você conhecia essas pessoas ?
SB – Eles apareciam no meu escritório como apareceu o Zé do Cheque. A primeira vez eu não dava trela, mas a pessoa tinha que insistir pra dar papel porque aparecia muita gente. Então, eu só pegava os fixos, os Feijoada da vida, pessoas que trabalhavam comigo porque eu precisava ter uma equipe boa. Eu só olhava pro cara e ele já sabia o que eu queria. Isso é o mais interessante porque você não faz nada sozinho, eu dependo das pessoas.
O Feijoada é um cara que sempre dei conselho pra ele: “Feijoada, você é um baita cara legal, gosto de você mas pára de beber, não pode beber”. Pegou um carro, deu contra um poste, matou dois amigos e ficou cego das duas vistas. Fazer o que? A gente dá a letra se o cara quis. Eu quero morrer afogado dentro de uma buceta, o cara quis dentro de um poste.
Z – Da sua época você namorou a Zilda Mayo, mas teve outra que se tornou famosa?
SB – Não, eu tive um rolo com a Matilde Mastrangi e aí foi a separação da Zilda. Mas umas por ai que nem cito, que nem estão no mercado faz tempo. Mas é uma buceta a mais, não muda nada. A única frase que ficou da Matilde Mastrangi pra mim é uma frase: “Homem é que nem papel higiênico, a gente usa e joga fora”. Boa, gostei, boa. A frase está comigo até hoje.
Esta é uma versão resumida. A entrevista completa, incluindo um elucidativo dossiê sobre Sady Baby, está no Site Zingu!


























