Bacanais na Ilha das Ninfetas (1982)

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Bacanais na Ilha das NinfetasDick Boy encontra um tesouro numa ilha, com a ajuda de cinco ninfetas. Ele é um cantor romântico e extravagante; as garotas que o acompanham têm o púbis em forma de coração, cada um de uma cor diferente. Marisa é a sua namorada e rival das outras quatro: Nilza, Tânia, Norma e Ada. Dick Boy e Marisa negociam o tesouro com um receptador. Nilza combina com o bandido Genésio a libertação da cadeia de outros bandidos, Totonho e Fumaça. Os quatro planejam ficar com o dinheiro de Dick Boy. Este e Marisa fogem com o dinheiro rumo a um navio cargueiro. Começa então uma louca perseguição em carros, barcos, bicicletas, a pé, por montanhas, rios, matas e praias, as quatro ninfetas seguindo os passos de Dick e Marisa, e os bandidos atrás. No final, Totonho e Nilza caem num buraco e se entregam ao prazer sexual. No apartamento, as ninfetas estão começando uma bacanal com Dick Boy… (Sinopse tosca tirada do flyer do filme).

Direção: Osvaldo Oliveira. Com Márcio Prado, Zilda Mayo, Maristela Moreno, Jussara Calmon, Mara Carmen, Cristina D’Avila, Sebastião Apolônio, Genésio Carvalho, José Carlos Lampa, Pablo, Roco, Maristela Mailson. Duração: 83 min.


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Hospital da Corrupção e dos Prazeres (1986)

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Sátira da Boca às fraudes no INAMPS e INSS, se passa no tal “Hospital dos Prazeres” (ou algo que parece um hospital), onde fiscais do INSS vão investigar denúncias de corrupção e são devidamente “subornados”.

Hospital da Corrupção e dos PrazeresJá começa com uma cena de castração explícita, fajuta e grosseira, e logo mais tem um velhinho (MESMO!) transando com uma velha ninfeta (cena não-explícita, já que a pipa do vovô não sobe mais). Em seguida, uma moça pede ajuda pra desentalar a garrafa tamanho-gigante com que se masturbava. Só por aí já dá pra imaginar a alta qualidade intelectual da fita, mas quem disse que a Boca mede palavras?

Quer mais? Num açougue, um rapaz pendura a japinha Sandra Midori num gancho de carne e rasga-lhe a roupa a facão. Mais? Nesse mesmo açougue, negões transam com alcatras e lombinhos (literalmente – eles cortam buracos nas carnes, metem a pica e gozam dentro!) e tentam currar um vira-lata – que foge correndo, pois não é besta. Chega? Há quem ache isso divertido.

HOSPITAL DA CORRUPÇÃO E DOS PRAZERES (Brasil, 1986. Dir. Rajá de Aragão. Com Sandra Midori, Aline Delatorre, Bete Silva, Andrea Pucci, Rosary Graziosi, Priscila Domenico, Ana Regina, Sandra Gabriel, Michele Analibei. 83 min. Video Room).

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48 Horas de Sexo Alucinante (1987)

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48 Horas Para entender 48 Horas de Sexo Alucinante, é necessário analisar o contexto histórico e político que o Brasil atravessava na década de 80, a chamada “fase perdida“.

48 HorasNa onda da intensa produção pornográfica que assolou as sessões de cinemas no Brasil, José Mojica Marins não ficou para trás. Amparados por mandados judiciais, que tinham como fundamento a abertura do mercado exibidor às obras de forte apelo sexual, como O Império dos Sentidos (1976) e Calígula (1979), as produtoras da Boca do Lixo romperam, paulatinamente e na medida do possível, a censura. Censura esta que até então impunha rigorosos limites estéticos e ideológicos à produção cinematográfica brasileira.

Em 1981, o diretor ítalo-brasileiro Rafaelle Rossi, precursor da chamada “primeira fase do pornô nacional”, exibia, no clássico Coisas Eróticas, o que viria a ser a premissa do cenário hardcore brasileiro, ao mostrar Óasis Minitti masturbando-se em um chuveiro. Daí para frente, o ápice da pornografia eclodiria em pouco tempo. Na esteira do filme de Rossi, passariam mais de 500 títulos destinados para adultos, exibidos nos cinemas e nas chamadas “salas especiais“. Autores renomados como Fauzi Mansur, Ody Fraga, Antonio Meliande e Alfredo Sternheim não resistiriam e entrariam na então recente produção explícita nacional – assim como José Mojica Marins.

48 HorasCom dinheiro na mão, conseguido graças ao sucesso de 24 Horas de Sexo Explícito, o produtor Mário Lima chamou novamente o seu fiel escudeiro e parceiro de todas as horas José Mojica Marins, para mais uma empreitada no mundo pornô. Mais uma vez pela produtora Foto-Cena Filmes. Ao contrário do obscuro – e bizarro – elenco de 24 Horas de Sexo Explícito, os integrantes de 48 Horas de Sexo Alucinante são uma verdadeira seleção do que havia de melhor na produção hardcore paulistana. Nomes de prestígio tal qual Oswaldo Cirillo, Silvio Junior, Andreá Pucci, Antônio Rodi e o casal 69 da Boca do Lixo, Walter e Eliane Gabarron, contracenavam em picantes cenas de safadeza, sem falsos moralismos ou frescuras tediosas.

À primeira vista, percebe-se a grande diferença de qualidade entre os elencos dos dois filmes pornôs do José Mojica Marins. Na época de lançamento de 24 Horas de Sexo Explícito, Mojica teve a incrível façanha de contratar as piores barangas da Boca do Lixo. Isto proposital, porque avesso à pornografia, almejava afastar de vez o público brasileiro da avalanche pornô que contaminava o Brasil. E, para isso, uma fórmula quase certeira: só mostrar mocréias na tela do cinema. Mas o feitiço virou contra o feiticeiro, e o filme foi um sucesso de público, ocasionando filas e mais filas nas entradas das sessões. Apesar do lucro avassalador, Zé do Caixão, ou melhor, José Mojica Marins, sempre levando a pior e comendo o pão que o diabo amassou, mal viu a cor da grana. Azarado como sempre, recebeu apenas o seu salário de diretor, uma vez que Mário Lima bancou o projeto e recebeu as benesses do mesmo.

48 HorasCom o enorme e inesperado sucesso de público, o diretor noticiou na época a sua perplexidade e espanto. Botou culpa do seu sucesso pelo fato do povo brasileiro ser, numa palavra direta e objetiva, “tarado”. Se a preocupação estética de 24 Horas de Sexo Explícito deixa a desejar, com suas mulheres teratológicas abundando a telona, as dondocas de 48 Horas de Sexo Alucinante agradam ao espectador. O enredo, por sua vez, é apenas um tecido mal-costurado para mostrar cenas improvisadas de rala-e-rola entre os atores. Como o próprio nome diz, há “interação sexual” entre os farristas durantes dois dias ininterruptos. No filme, Mojica Marins – no seu contumaz papel metalingüístico de Zé do Caixão (há sempre a confusão entre criatura e criador) – junto com Mário Lima (o produtor e também ator no filme) são procurados por uma sexóloga de meia-idade (Andréa Pucci). A estudiosa do sexo explica aos dois o seu anseio de produzir um novo filme pornô, para fins “científicos”, em que estudará os estranhos comportamentos sexuais do povo brasileiro.

Sempre com um pensamento a frente do seu tempo, e desprendido dos costumes conservadores e retrógrados da sua época, José Mojica Marins é capaz de elaborar cenas de sexo nunca vistas antes nos cinemas brasileiros. Não da forma ousada e indigesta como foram mostradas. Se Helena Ramos teve os seios lambidos por um cavalo, no filme Mulher, Mulher, do diretor Jean Garret, Mojica inovou filmando a primeira seqüência zoofilica tupiniquim, entre a atriz Vânia Bournier e Jack, o pastor-alemão.

48 HorasTal excentricidade ocorreu no filme predecessor. Se as pessoas achavam, no final dos anos 80, que tudo em relação a sexo já fora filmado, Mojica mais uma vez causa estardalhaço e superou expectativas. Em 48 Horas de Sexo Alucinante foi além: filmou a célebre cena onde a coroa Andréa Pucci, no meio de uma fazenda, se coloca dentro de uma vaca mecânica de madeira, onde é penetrada por um homem vestido de bumba-meu-boi. Surreal e inacreditável, metafórica e lisérgico. Cena esta obrigatória de constar em discussões sobre as maiores loucuras sexuais já captadas por uma câmera. Algo que nem mesmo mentes doentias como Sady Baby, Juan Bajon, Alex de Renzi, Gregory Dark ou Shaun Costello poderiam imaginar.

Visionário, José Mojica Marins (ou, para quem prefere, Zé do Caixão) marcou época na Boca do Lixo. Tanto pela genialidade das clássicas obras de horror dos anos 60, como À Meia-Noite Levarei a Sua Alma e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, quanto pela bizarrice e picaretagem que insuflavam nos seus filmes explícitos durante a inusitada e escalafobética década de 80.

Yúri Koch é pesquisador e editor do blog Necrofilmes.

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Devassidão Total Até o Último Orgasmo (1986)

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Ate o Ultimo Orgasmo Um grupo de mulheres, detentas numa penitenciária mequetrefe na fronteira do país, sofre pela falta de homens e pelos trabalhos pesados (leia-se lavar roupa no riacho com a calcinha de fora, e ouvir musiquinhas horríveis numa vitrolinha chulé).

Todo dia elas são seviciadas pela carcereira lésbica e sádica, até que surgem dois náufragos na… bem, parece que a porra da penitenciária fica numa ilha. Sei lá. Seriam eles a salvação? Bom… mais ou menos.

Nesse ínterim, todas as moças se submetem às mais variadas peripécias sexuais, inclusive transar com um retardado e com um gorila (bom, com um mané vestido de gorila) e serem penetradas por lâmpadas e pistolas.

Como dá pra ver pelos caps, a qualidade de imagem é um cu cagando. Mas pelo menos aqui é de graça. Se quiser pagar mais de 30 pilas por um DivX idêntico no Putrescine, foda-se.

Direção: Fauzi Mansur. Com Neusa Dias, Sandra Morelli, Marcia Ferro, Sheila Santos, Custódio Gomes, Francisco Viana, Ronaldo Amaral.

FILMECAPS

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As pioneiras do explícito na Boca do Lixo

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As pioneiras do sexo explícito!Clique na foto para baixar uma matéria da ELE ELA número 174.

O Analista de Taras Deliciosas (1984)

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Analista de Taras DeliciosasUma das dificuldades dos produtores das pornoproduções da Boca do Lixo, em São Paulo, está em encontrar títulos para essas “realizações”. Como a liberalidade chegou a extremos e o público começa a cansar do mesmo esquema nas pornofitas de sexo explícito, as apelações nos títulos tornam-se cada vez mais agressivas, como se pode notar pelos nomes das produções exibidas nos cinemas específicos que exploram esse tipo de programação.

Os títulos são tão agressivos que vereadores de São Paulo e Curitiba (aqui, o sempre puritano e feroz Luis Gil Leão) tem dado urros contra “essa agressão contra aqueles que não desejam compactuar com tanta imoralidade “.  Além da proibição das fotos, os vereadores querem, também, que os títulos das pornofitas se limitem às áreas internas dos cinemas, não podendo mais ocupar marquises voltadas para a rua.

Nessa semana, por exemplo, o São João exibe ”Abre as Pernas, Coração”, dirigida pelo “especialista” Mario Vaz Filho, com Paula Sanches, Sandra Midori e Luciano Dantas. Em outros filmes, as atrizes preferem usar pseudônimos. No elenco de “Escândalos do Sexo Explícito” em cartaz no Glória l, o elenco é apresentado da seguinte forma : “Bob, a cobra macho; Eliana, a boneca de carne; Beth e Sandra, as campeãs; e Luana e Iloá, as mulatas”. Já os diretores (sic) desses filmes também preferem, muitas vezes, o anonimato. Os pseudônimos curiosos. Fauzi Mansur, responsável pelo “Analista de Taras Deliciosas”, exibido a semana passada no São João, assinou o filme como nome ao contrário: Rusnam Izuaf.

No Glória l, a programação é dupla: “Escândalos do Sexo Explícito” e “A Mansão do Sexo Explícito”. Aliás, Sexo Explícito consta em mais de 20 títulos de pornofitas lançadas nos últimos meses. Entretanto, o título mais audacioso até agora usado foi: “Dracula chupa… e não é no pescoço”.

Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente no Estado do Paraná em 18/09/1985

FITA COMPLETACAPS

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Meninas, Virgens e P… (Troca de Óleo) (1983)

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Meninas Virgens e Putas

Meninas Virgens e PutasUma das curtições de Rombo (Sady) na cadeia é obrigar outros presos a transar na sua frente. Na porrada, Rombo ordena que um meliante faça um bolagato em outro detento. Mas tudo isso é café pequeno na vida de Rombo e seu comparsa DKW, que aguardam a liberdade para poderem pegar a grana de um assalto que realizaram, e curtir a vida com muito luxo e sexo.

Meninas Virgens e PutasDKW tem mais sorte e é o primeiro a ganhar a liberdade. Matreiro e muito safado, do tipo que venderia a própria mãe, passa a mão na grana e deixa Rombo a ver navios. Quando Rombo sai da cadeia, percebe que foi passado pra trás. Cheio de ódio, ele sabe onde procurar DKW: na boate Troca de Óleo, onde o clima é de muito sexo e suruba.

Meninas Virgens e PutasRombo vai conversar com uma das amantes de DKW. Tenta seduzir a menina com seu charme. Mas a gata, fiel ao homem, não dá com a língua nos dentes. Rombo fica puto e começa a quebrar a boate. Enquanto isso, um dos seus comparsas, Goró, come a deliciosa Zana (Luana/Leyk-Dú), ninfeta que é um misto de criança e fêmea quentíssima.

Meninas Virgens e PutasNa trajetória de ódio e vingança, Rombo age com muita violência e o sexo sempre está presente. Mas existem coisas que irritam o anti-herói e ele reage prontamente. Numa outra boate, um garçom, daqueles saldinhos, dá um beijo de língua num freguês. Rombo não curte a sacanagem e mata os dois, cortando suas gargantas. Depois ele manda Zana e Goro trazerem a cantora do local (Makerley Reis); ela certamente sabe onde se esconde o DKW. A cantora, uma mulher gostossísima, protege DKW e trava uma luta corporal e sensual com Rombo.

Meninas Virgens e PutasTroca de Óleo não poderia terminar sem um grande duelo final entre DKW e Rombo. No estilo dos filmes onde os personagens são movidos por uma vingança mortal, os dois lutam desesperadamente e somente um sairá vivo. O final do filme guarda uma surpresa para Rombo. Olho vivo.

Sady Baby, diretor e ator principal de Troca de Óleo, fez um filme violento e cheio de putaria. Constantemente seus personagens são forçados a transar com quem não querem.

Texto: Edward Janks

TRAILER * FILME COMPLETO

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O Vale dos Amantes (1982), com Rita Cadillac!

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O diretório inclui também um arquivo .zip com a matéria da revista BIG MAN INTERNACIONAL sobre este filme.

Fuk Fuk a Brazileira (1986)

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Fuk FukSiri, um anão negro, feio, semi-analfabeto, mudo (mas dotado de telepatia) é adotado por um casal com certa quedas por orgias. Um dia a esposa se recusa a lubrificar seu ânus com margarina (só aceita manteiga), então o marido tenta sodomizar Siri, que escapa pela privada e vai viver uma verdadeira odisséia, com direito a lusitanos pan-sexuais, naves de formato fálico (ah, sim, esqueci de dizer que Siri também é um ET!) e um isopor térmico cheio de vibradores para satisfação auto-erótica.

Fuk FukVou tentar concientizar o leitor de meu entrave enquanto articulista: o que se pode comentar de um filme como Fuk Fuk à Brasileira? Citemos uma cena: passando por dificuldades financeiras, o anão Siri tenta vender alguns ítens de sua coleção de vibradores numa praia. Como Siri é mudo, ele explicita o que está vendendo através de cartazes recheados de impropérios. Um provinciano, ao ver tais cartazes, pergunta ao seu burro (dublado por Marthus Mathias, a voz do Fred Flintstone) se por acaso ele não gostaria de comprar um dos roliços objetos “pra fazer uma sacanagem da boa”.

Fuk FukObviamente não se trata de um filme para todos os gostos. Os não-familiados com esse tipo de cinema (as pornochanchadas que realmente levam seu prefixo à sério) com certeza irão estranhar (senão se abalar) com o estilo que filmes como esse ou No Calor do Buraco (cujo plano inicial era a de um homem – interpretado pelo próprio diretor do filme, o excepcional Sady Baby, famoso por afirmar que cafetinou a Felina/Big Brother argentina Antonella – copulando, explicitamente, com uma árvore). Mas quem deixar o bom senso (bem) longe irá se divertir com esse verdadeiro clássico do cinema hiper-underground brasileiro.

Fuk FukApesar de teoricamente um filme pornográfico servir como obra de excitação sexual através de cenas de cópulas explícitas, a única característica que faz de Fuk Fuk à Brasileira um filme pornográfico são suas cenas de sexo explícito, já que as piadas incessantes que permeiam o filme impedirão qualquer espectador de manter uma ereção. E bota piada nisso: desde o começo até sua conclusão, o filme não pára de destilar seu humor à toilet. Em menos de 10 minutos vemos um anão-cafetão contar (telepaticamente) a história de sua vida, quase estuprado por seu pai adotivo, descendo pela privada, chegando ao esgoto, recebendo um jato de urina de um mendigo bêbado e sendo confundido com um “frango de macumba” ao sair correndo nu pela rua…

Fuk FukE o filme mantém esse ritmo, mostrando que, Siri, o anão, depois de passar algumas desventuras nas ruas, numa pensão de um português bissexual, em um bordel e na casa de um pederasta típico de pornochanchadas, encontra finalmente a felicidade na brilhante conclusão do filme. Uma raça alienígena (que viaja numa nave que tem o formato de um pênis) ejacula no pequenino protagonista e ele descobre que essa “porra intergalática” é um poderoso afrodisíaco, passando então a vendê-la “aos broxas de todo o mundo”, como ele mesmo diz na narração do filme.

Uma curiosidade: Jean Garret foi um dos diretores dessa singular obra, oculto pelo pseudônimo ” J.A. Nunes”.

Texto: Diogenes L. Cesar
Elenco: Chumbinho, Bianchina Della Costa, Lia Costa, Flávia Sanchez, Solange Dumont, Fátima Funny, Lilian Villar, Andréa Pucci.

FILME COMPLETO

VEJA AQUI UMA PRÉVIA DE DEZ MINUTOS.

Fuk Fuk

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A B… Profunda (1984)

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A Bunda ProfundaSátira descarada ao sucesso Garganta Profunda, com a diferença que o clítoris da mulher (no caso, Débora Muniz) não fica no gogó, e sim no fiofó.

A B... ProfundaEsse filme foi dirigido por Álvaro de Moya sob o pseudônimo “Gerard Dominó” (mais uma micagem, já que o diretor do Garganta Profunda original se chama Gerard Damiano – e é o nome real dele! Sim, ele se chama Gerard ROCCO Damiano!). É isso mesmo o que vocês leram, crianças: o Álvaro de Moya que escreveu e dirigiu esse pornô é AQUELE MESMO Álvaro de Moya famoso por escrever vários livros rastaqueras e superficiais sobre gibis!

Curiosidade: com Cr$ 44.941.720, foi a vigésima quarta bilheteria do ano… mas só em Curitiba! Ah, sim: existe um questionário circulando pela net afirmando que “A B… Profunda” foi o primeiro filme pornô feito no Brasil. Evidentemente, quem escreveu essa merda não entende porra nenhuma do que está falando. Ô, maldita inclusão digital…

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Banho de Língua (1985)

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Banho de LinguaBANHO DE LÍNGUA (Brasil/85. Dir. Mauri de Queiroz (Tony Vieira). Com Ayda Guimarães, Camila Baby, Priscila Domenico, Nadia Tell, Reinaldo dos Santos, Arnaldo Fernandes. 74 min. Vídeo Max).

Três garotas desempregadas fazem de tudo pra arranjar um bico. O elenco feminino dá pro gasto, mas transa mal – especialmente nas sequências lésbicas – e representa pior ainda. Numa cena, uma menina fuma pela vagina (mas não chega a tragar); em outra, um gay pede que lhe enfiem uma vela no traseiro (“pode botar que é cu de macho!”). A breguice grassa, como de praxe nos pornôs da Boca do Lixo, mas há quem goste – e para este público, esta fita se revela satisfatória.

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Emoções Sexuais de um Jegue (1986)

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Emoções Sexuais de um JegueTodas as obras de Sady Baby são repletas de cenas de dominação. Geralmente o próprio cineasta aparece em cena obrigando alguém a manter relações sexuais com outra pessoa ou até mesmo com um animal. A coerção sempre acontece sob a mira de alguma arma.

Emoções Sexuais de um JegueA satisfação com a morte alheia também está presente nos papéis interpretados por Sady em suas obras. E as seqüências mais criativas de homicídios podem ser vistas no filme “Emoções Sexuais de um Jegue” (1986).

Nesse filme, Sady é o presidiário aidético Gavião. Após fugir da prisão, Gavião encontra uma loira perambulando por uma mata. Para tirar o atraso, o fascínora arrasta a mulher para um local onde há um providencial caixão. “Esse é o caixão do amor. Estou com fome de sexo. Vou comer seu cu aqui dentro”, diz Gavião para a beldade, uma das duas mulheres que são infectadas pelo bandido com o vírus HIV durante o filme.

Emoções Sexuais de um JegueA grande saga de Gavião em “Emoções Sexuais…” é encontrar seu pai, o caquético “velho Paçoca”, para matá-lo. Isso porque o idoso engravidou a mulher do filho enquanto ele esteve em cana. Gavião ameaça esmurrar a barriga da mulher para que ela perca o bebê. No final, ele resolve atear fogo no casebre onde a adúltera mora. A mulher não consegue escapar do ato bárbaro porque o marido a amarrou e cobriu sua cabeça com um saco.

Emoções Sexuais de um JegueO criminoso fica sabendo que o pai também traçou a própria filha, ao ver o proeminente barrigão dela. O diálogo entre Gavião e a irmã é um dos momentos mais engraçados do filme.

Emoções Sexuais de um Jegue“Quem é o pai da criança?”, pergunta o bandidão. “O pai”, responde a irmã. “Que pai?”, volta a questionar Gavião. “O nosso pai”, explica a irmã. “Velho fedido. Eu vou comer o cu daquele velho filho da puta”, resmunga o fugitivo, saindo no encalço do velho tarado.

Durante sua busca, Gavião obriga um médico a chupar uma ferida em seu braço, para infectá-lo com o vírus da Aids (a punição foi porque o médico prometeu uma cura para a doença e não cumpriu a promessa), e ainda mata um homossexual em uma boate, abrindo o tórax dele com uma motosserra.

Emoções Sexuais de um JegueMais para a frente o bandido é baleado por um homem de quem roubou um carro, mas o ferimento provocado pelo tiro não impede que ele continue atrás do “velho Paçoca”. O tão esperado encontro acontece no final do filme.

Emoções Sexuais de um Jegue“Emoções Sexuais…” tem duas cenas que comprovam a genialidade de Sady Baby. Em uma delas, o cineasta gaúcho aparece com uma motoserra cortando a barriga de um infeliz. Sady nunca viu “O Massacre da Serra Elétrica” nem “Evil Dead” ou qualquer outro filme de horror que influenciasse as cenas sangrentas de suas obras pornográficas.

Na outra, Sady mostra o que faria se pudesse colocar uma câmera dentro da vagina da atriz. Como isso seria impossível, o cineasta pediu para um ator enfiar o pênis num pedaço de bife e registrou como seria um gozo visto do interior da vagina.

Emoções Sexuais de um JegueAproveitando o sucesso de outro filme anterior dele, “Emoções Sexuais de um Cavalo”, Sady Baby repetiu o título nessa sua obra de vingança trocando apenas o eqüino. O jegue do título aparece em uma rápida cena e ainda decepciona os zoófilos de plantão, mas para garantir, há uma cena extra em que um homem e uma mulher emboquetam um cavalo até que este goze em suas bocas!

Ademais, os fãs de cinema extremo ou de ação vão se divertir com as peripécias do personagem interpretado pelo Marquês Sady.

Gio Mendes, autor desse belo texto, desenvolve
com Fausto Salvatori a biografia de Sady Baby.

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O Império do Sexo Explícito (1985)

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O Imperio do Sexo Explicito (1985)

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A Virgem e o Fotógrafo (1991)

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Fotógrafo convida três modelos, uma delas virgem (cerrrrrto…), para uma orgia. Muito sexo anal e lesbianismo, numa produção nacional acima da média para o longínquo ano de 1991 – quando Panteras e Brasileirinhas ainda nem sonhavam em nascer.

A fita alardeia o “rompimento explícito, ao som de Mozart, do hímen de uma virgem legítima”. Hehehe. Que fanfarrão, heim? À exceção de Mozart, cuja “Eine Kleine Nachtmusik” toca como música de fundo (aliás, a trilha sonora é um primor de quebra de direitos autorais), não há “virgens legitimas” e muito menos hímens para serem vistos na fita. Mas tudo bem, pelo menos o elenco é bem legal e relativamente bonito (especialmente para quem gosta de atrizes mais cheinhas e 100% naturais), e o sexo é bastante quente (detalhe para a mina que é enrabada na janela).

Giselle H.”, descrita como “carioca, 18 anos, ex-dançarina de um boate no Rio, milionária” é pseudônimo de ninguém menos que o ex-galã Carlo Mossy, que já estava décadas na frente da Sexxxy quando o assunto era vender vento engarrafado.


A VIRGEM E O FOTÓGRAFO (Brasil, 9l. Dir. Giselle H. (Carlo Mossy). Com Adrianne Adams, Bianka Leik, Daffene Dean, Rony Ram. 75 min. Actor’s Studio do Brasil/Hot Sexy).

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“Pô meu, não falei nada disso aí não!”

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Entrevista Sady Baby

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A Quinta Dimensão do Sexo (1983)

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5 DimensaoAuxiliados pela lenta abertura da Censura, os filmes pornôs estrangeiros, produzidos aos montes na Europa e Estados Unidos desde a década de 70, finalmente puderam ser exibidos em nossos cinemas.

5 DimensaoInspirados pelo êxito obtido por essas produções, Raffaele Rossi e Laerte Callichio rodaram Coisas Eróticas em 1981, oficialmente o primeiro filme de sexo explícito nacional. Mesmo sendo uma porcaria, esse primeiro exemplar de sacanagem filmada e falada em português era novidade para o público. Por isso, 4,5 milhões de espectadores lotaram as salas de exibição para ver a fita, fazendo a fortuna dos diretores e colocando o filme entre as 15 maiores bilheterias do cinema brasileiro.

5 DimensaoA partir de então, começava o ciclo de produção em massa de filmes com sexo explícito, marcando o final da chamada Boca do Lixo paulista, que nas décadas de 60 e 70 foi responsável pela realização de dezenas de fitas de todos os gêneros, do faroeste ao horror – e não apenas pornochanchadas – sem o auxílio de leis de incentivo e trazendo excelentes resultados de bilheteria. Animados pelo baixo custo de produção e menor tempo de filmagem, vários diretores e produtores dos chamados filmes sérios aderiram à onda para sobrevivere começaram a rodar fitas pornográficas. Foi o que aconteceu com José Mojica Marins, mais conhecido pelo seu personagem Zé do Caixão.

5 DimensaoEm 1983, Zé resolveu filmar um roteiro de autoria de Mário Lima, parceiro de longa data, associado a mais quatro pessoas, entre elas dois feirantes. A história era um drama erótico sobre dois estudantes de medicina que transam com várias mulheres, matando acidentalmente duas delas. Já nas cenas iniciais, percebe-se a paixão entre os dois, mostrada de forma velada, semelhante aos atormentados amigos e parceiros de crime em Festim Diabólico (1948), de Alfred Hitchcock.

5 DimensaoA princípio o filme não teria cenas explícitas, mas, por exigência da distribuidora, Mojica resolveu incluir 20 minutos de sexo explícito na montagem final, fazendo de A Quinta Dimensão do Sexo sua primeira incursão no mundo da pornografia, mas com um detalhe curioso: o filme era voltado essencialmente para o público gay. Isso em uma época em que nem se sonhava com a sigla GLS e pouca gente ousaria criar entretenimento para esse segmento. “A fita era uma homenagem a eles. Eu tenho um público gay que gosta dos meus filmes. Também queria homenagear Roque Palácio [apresentador de TV e co-produtor de filmes com Mojica], que era homossexual”, lembra Mojica.

5 DimensaoA trama do longa pornô era curiosa: cansados de serem ridicularizados pelos colegas de faculdade, que achavam que eles além de impotentes eram gays, Paulo e Norberto resolvem criar uma fórmula afrodisíaca que enlouquece a mulherada. Empolgados, raptam e seviciam duas garotas. Uma delas, ao conseguir escapar de seus seqüestradores depravados, é morta por uma cobra, enquanto eles dão boas gargalhadas e fritam uma omelete. Outra gosta mesmo da transa e morre de prazer na manhã seguinte. No final, os confusos rapazes percebem que essa bendita fórmula só serve pra causar problemas, e que gostam mesmo é um do outro. Mas é tarde demais: a morte das moças pôs a polícia em seu encalço. Perseguidos, o carro onde estão, cai acidentalmente de uma ribanceira e o casalzinho morre.

Considerando que tratava-se de um filme voltado para o público gay, por que Mojica não colocou cenas explícitas entre homens? “Preferi mostrar só o beijo e deixar o resto no suspense”, lembra Mojica. Uma idéia até acertada, pois se a Censura implicou com um beijo, imagine com dois homens transando. De qualquer forma, o filme foi um fracasso de bilheteria e nem chegou a pagar os gastos com a produção, ficando menos de um mês em cartaz. Na época em que foi lançado, A Quinta Dimensão não vingou ao tentar concorrer com Oh! Rebuceteio, de Cláudio Cunha.

5 DimensaoO sucesso do filme de Cunha acabou tomando o lugar de A Quinta Dimensão no Cine Dom José, um dos preferidos pelos gays. “Transferido” para o Cine Windsor, o filme levou outro golpe de azar: quinze dias antes da sua estréia, a direção do cinema proibiu os gays de transarem dentro da sala de exibição. Resultado: a bicharada boicotou o cinema e preferiu ir fazer pegação no Dom José mesmo. Apesar desse fiasco, o filme rendeu homenagens a Mojica. “Recebi um troféu, O gato gay de uma casa noturna, e um livro de poesias. Gays de todo o país apoiaram o filme”, afirma Mojica.

5 DimensaoApós tanto tempo, Mojica ainda lembra uma última história interessante sobre a gravação do filme. “Precisava gravar um close da bunda de uma atriz sendo ‘ensanduichada’ pelo Márcio e o João Francisco”. Na hora de gravar, porém, a atriz sumiu do set. O que fazer? Um dos figurantes, dono de um traseiro invejável, topou substituí-la. O problema é que os atores, digamos, se empolgaram demais (leia-se ficaram com os paus duros), dificultando a realização da cena. Irritado, José Mojica Marins incorporou o Zé do Caixão e ameaçou, levantando um facão: “Vamos tratar de gravar logo essa cena, que hoje eu tô com vontade de comer pau à milanesa!”. Depois de tão sutil estímulo, os atores se acalmaram e a tal cena de nádega explícita pôde finalmente ser gravada.

Erik J. Borges

CRISE? ENCHA O CU DE GRANA!

RARIDADE – Festa na Boca, de Ozualdo Candeias

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A face documentarista de Ozualdo Candeias, embora significativa na sua formação como cineasta e refletida de forma clara em filmes ficcionais como Aopção, ainda não foi analisada na devida conta. Festa na Boca, fita sobre a comemoração do final do ano de 1976 na rua do Triunfo, organizada por pessoas ligadas ao meio cinematográfico, apresenta ótima oportunidade para discutir esse lado menos conhecido da obra do diretor.

Em primeiro lugar, note-se que nos créditos o filme apresenta-se como “reportagem”, gênero com o qual Candeias trabalhou muito no início da carreira ainda nos anos 50 e que desapareceu das telas devido à concorrência do telejornalismo. Outrossim, Candeias desde o final dos anos 60 não apenas fotografava aquela região e o pessoal de cinema que por ali aportava, como já tinha feito dois curtas-metragens a partir desse material, ambos intitulados Uma rua chamada Triumpho.

Ora, a intimidade do realizador com a turma mostrada no filme retira de imediato da “reportagem” qualquer possível neutralidade. Ao invés de tentar disfarçar tal envolvimento, temos a representação exacerbada dessa intimidade pela forma como a locução refere-se a várias figuras presentes na fita, pelo comportamento bastante livre dos movimentos de câmera e pela ironia destilada das músicas. Momentos que poderiam descambar para o oficialesco, como a entrega de prêmios, acabam sendo especiais ao mostrar não apenas astros daquele período (Toni Vieira e Claudette Joubert), como ainda um assistente de câmera ou um chefe-eletricista felizes com o reconhecimento profissional expresso na singela medalha.

Sob o aspecto da intimidade e da leveza ao retratar o meio cinematográfico, Festa na Boca remete a outro filme, que apresenta um segmento totalmente diferente: trata-se de Cinema Novo, média-metragem de Joaquim Pedro de Andrade realizado para a televisão alemã em 1965. Uma última observação. Não é de menor importância o registro feito pelo filme de formas de sociabilidade que nos parecem tão distantes hoje: críticos de sólida formação intelectual, como Jean-Claude Bernardet ou Leon Cakoff, aparecem curtindo o mesmo ambiente de Cláudio Cunha e David Cardoso e das atrizes e técnicos das pornochanchadas. Só isso já indica a riqueza cultural e social do espaço da produção localizada na Boca do final dos anos 60 e de boa parte dos 70.

Arthur Autran

BOCADOLIXOCINEMA ou FESTA NA BOCA.  Não-ficção, 1976, 35 mm, P&B, 12 min

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Erótica, a Fêmea Sensual (1984)

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Matilde Mastrangi em ERÓTICA, A FÊMEA SENSUAL

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Amor Estranho Amor (1982)

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Amor Estranho Amor (1982)Baseado nas recordações de Hugo, um senhor de meia-idade, que relembra a época em que morou no bordel de sua mãe Anna, prostituta e amante do governador de São Paulo. As visões do passado, além de lembranças, podem também incluir sonhos e desejos irrealizados, o que explicaria a cena de sexo do garoto com sua mãe.

Amor Estranho Amor (1982)No bordel em que sua mãe se esforça para se manter em alta, trabalha uma ninfeta atrevida, Tamara. Depois de ter leiloada a sua virgindade entre os frequentadores mais ricos, ela seduz Hugo, garoto de doze anos e o filho de Anna.

O pequeno Hugo parece um filhote de bicho indefeso sendo atraído para o fundo da caverna das lobas.

E existe o chefão da alcatéia, um lobão muito perspicaz, um político (Tarcisio Meira), que usa o puteiro para articular novas alianças com o poder.

Aliás, esse é um tema recorrente nos filmes de Khouri: os prazeres são calculados para parecerem acidentais, mas raramente vingam desta forma. E o garoto do filme resiste a esse destino.

Só que as cores do universo se embaralham depois que ele vê Tarcísio Meira literalmente devorando sua mãe. A imagem consome a criança e a confusão aumenta quando ele percebe que a mãe está adorando aquilo. Assim Hugo passa a desenvolver uma relação de amor perverso com as mulheres da casa.

Amor Estranho Amor (1982)Enfim, participa do jogo dos adultos.

Vera Fischer está fabulosa no filme. Altiva, misteriosa, com um sorriso diabólico que parece convidar o espectador para a cama.

Khouri projetou o filme para ter Xuxa como a cerejinha do bolo. Sua personagem, a garota virginal, servida numa bandeja para fartar um político de oposição (Mauro Mendonça), tem uma sofisticação que ela nunca atingiu, ainda que ambicionasse, como Rainha dos Baixinhos.

Xuxa está linda, no auge da forma, e incorpora o papel de boneca de prazer sem tabus ou estigmas. É infantil e ao mesmo tempo safada. Articula quase todas as sua falas até o meio e preenche o resto com risadinhas ambíguas, que enlouquecem os marmanjos.

Amor Estranho Amor (1982)Para Khouri, o sexo é instrumento de poder e ele engloba a síntese deste mundo no corpo e na alma da lourinha. Não foi isso que Xuxa enxergou quando reviu o filme. Em retrospecto, provavelmente deve ter se sentido uma tola fazendo strip-tease com uma fantasia de ursinha.

Xuxa realmente paga o maior mico em “Amor, Estranho Amor”?

Não. A natureza e a extensão do que ela faz é mais ampla. Deveria rever o filme com esses olhos, liberando do mercado negro um momento do cinema nacional, que tem muito de especial. Graças a ela, a Vera Fischer e Walter Hugo Khouri.

Hamilton Rosa Jr.

Direção : Walter Hugo Khouri
Com Vera Fischer (Anna), Tarcísio Meira (Dr. Osmar), Xuxa Meneghel (Tamara), Walter Forster (Hugo adulto), Marcelo Ribeiro (Hugo), Íris Bruzzi (Laura), Mauro Mendonça (Dr. Benício), Jairo Arco e Flexa, Otávio Augusto, Matilde Mastrangi, Rosemary, Rubens Ewald Filho.

Amor Estranho Amor (1982)Curiosidades

* É por muitos considerado uma pornochanchada, mas o filme é mais precisamente definido como de gênero “erótico”, seguindo a linha adotada pelo diretor em toda a sua carreira.

Amor Estranho Amor (1982)* O filme causou frisson à época, por exibir cenas eróticas protagonizadas por um menor de idade, o ator Marcelo Ribeiro, que possuía então apenas doze anos de idade.

Hoje, Marcelo cresceu e, seguindo a linha de todas as “celebridades” que estão no ocaso, fez um filme para as Brasileirinhas.

* Foi posteriormente embargado na justiça por uma de suas atrizes, Xuxa Meneghel, que fez o papel de uma prostituta, uma personagem muito parecido com a de Brooke Shields no filme Garota Bonita, de 1978, que também causou polêmica.

* Xuxa, na época das filmagens, era uma modelo iniciante, cuja fama provinha basicamente do fato de namorar Pelé e das diversas vezes em que posou nua.

Posteriormente a modelo tornou-se apresentadora de programas infantis de televisão e chegou a fazer espetáculos e programas na América Latina e nos Estados Unidos, mas o fato de aparecer nua no filme, seduzindo uma criança (um baixinho, no jargão do seu programa infantil), prejudicou sua carreira internacional.

* O filme foi relançado em DVD nos Estados Unidos em 2005 (já está fora de catálogo). Ele não pode ser relançado no Brasil porque Marlene Mattos, que foi empresária de Xuxa durante muitos anos, detém seus direitos e não tem interesse em liberá-lo.

* No entanto, com a era da internet, as cenas sensuais de Xuxa estão disponibilizadas de maneira clandestina em muitos sites eróticos.

Inclusive aqui, huahuahuaha!

BAIXE O FILME COMPLETO AQUI

Pornochanchada na Revista de Domingo

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DomingoMatéria publicada na edição de 3 de maio de 1998 da Revista Domingo (Jornal do Brasil), trazendo entrevistas e depoimentos de Nidia de Paula, Rossana Ghessa, Aldine Müller, Matilde Mastrangi, David Cardoso, Carlo Mossy e outros (entre os “outros” está o falastrão C. Reichenbach – que, como todo mundo sabe, não é nem um pouco querido aqui no Sala Especial).

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