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dezembro
01
Flagras da Boca do Lixo

Flagras da Boca do Lixo

Uma atriz desfila só de calcinha pela rua, duas carroças levam rolos de filme, os diretores de cinema Rogério Sganzerla (1946-2004) e Carlos Reichenbach (1945-2012) batem papo.

Flagradas durante a década de 1970 na região da Boca do Lixo (centro de São Paulo), essas imagens inéditas vêm a público hoje (28) com a mais recente edição da “Revista da Biblioteca Mário de Andrade”, que pode ser baixada nos links abaixo:

TERAFILEUPLOADED

Os cliques foram feitos pelo cineasta Ozualdo Candeias (1922-2007), precursor do chamado cinema marginal e ­figura carimbada naquela região –que entre os anos 60 e 80 foi um dos polos de produção cinematográfica mais importantes do Brasil. ­­Pequenos estúdios e distribuidoras de filmes haviam se instalado ali desde os anos 1920, beneficiados pela proximidade com a estação da Luz.

“À noite era local de prostituição, a marginália tomava conta”, diz o cineasta e fotógrafo Jorge Bodanzky, que participa do ensaio com fotos da região nos dias de hoje. “O Candeias foi o grande repórter daquele período, o que mais registrou a Boca tanto em fotos quanto em filmes.”

As imagens de Candeias estão guardadas no acervo do produtor Eugenio Puppo desde a morte do diretor de “A Margem” (1967). “Recebi o telefonema de uma das filhas dele, que falou que tinha um monte de caixa cheia de negativos. Eu disse: ‘pelo amor de Deus, não jogue fora, aquilo é a história da Boca do Lixo’”, afirma Puppo, que estima manter cerca de 16 mil negativos do cineasta.

O dramaturgo Silvio de Abreu, o ator Anselmo Duarte e o cineasta José Mojica Marins são alguns dos rostos que aparecem nos cliques descontraídos no interior do bar Soberano. “As coisas rolavam muito nos bares. Atores encontravam diretores que encontravam técnicos. Tudo se resolvia lá mesmo.”

Em outras imagens, da metade dos anos 1970, os atores David Cardoso e Claudete Joubert aparecem numa espécie de pequeno palanque montado na rua, organizando uma premiação anual. A atriz aparece recebendo medalha de musa da Boca do Lixo.

Puppo estima que na virada dos anos 1960 para 1970 metade dos filmes nacionais tenha sido feita na região, especialmente as pornochanchadas, que deram fama à área. “Os cinemas de rua eram muito populares”, diz ele.

Nos anos 1980, a produção decaiu, consequência do surgimento do videocassete e do aumento da inflação. O bar Soberano, que reunia o povo do cinema, virou loja de informática. “Ficou tudo mais triste”, diz Bodanzky. “Já era melancólico por causa dos cortiços, mas o cinema deixava tudo mais alegre.”

agosto
30
Aluga-Se Moças (1982)

Aluga-se Moças

BAIXAR O FILME INTEIRO

Eis a trama, célebre por sua originalidade e reviravoltas espetaculares (sim, estou sendo irônico).

Paula (Rita Cadillac) separou-se recentemente do marido e não encontra emprego, pois há sete anos não trabalha – e, ao mesmo tempo, se recusa a passar pelos “testes do sofá” que seus empregadores potenciais propõem. Ela coloca um anúncio no jornal, propondo-se a dividir o apartamento onde mora com a filha e a empregada.

Beth Lara (Gretchen), uma strip-girl, pretende ser cantora. É aprovada num teste fotográfico para promover a coleção da loja Crazy Shirts. Numa boate, é vista por Odair, dono de uma gravadora, que se interessa em promovê-la. Beth procura Paula e passam a morar juntas.

Magali, estudante universitária, está grávida e o pai, ao saber, a expulsa de casa. É encontrada na rua por Ângela que, para sustentar a mãe doente, trabalha numa casa de massagens. Lá, é contratada por Rafael, dono da Crazy Shirts, para trabalhar no bordel de luxo que ele pretende abrir.

Cláudia e Marli moram juntas e trabalham na Crazy Shirts. Cláudia sai às vezes com Rafael, que, ao saber da virgindade de Marli, a oferece a Odair, seu amigo, esperando obter uma comissão pelo favor. Ele então suborna Cláudia para conseguir um fim-de-semana junto com Marli. Odair não aparece pois está ocupado com Beth, por quem se apaixonara. Rafael droga Marli e a seduz. A moça, devidamente descabaçada, pede a Cláudia, gerente do novo bordel, uma vaga.

Na inauguração do bordel, Beth, depois de desejar perseverança às moças, faz um show; e enquanto Paula, Ângela, Magali e Cláudia são apresentadas aos convidados, Marli ameaça se matar.

Aluga-Se Moças

Foi uma das mais famosas pornochanchadas da época, ficando mais de um ano em cartaz e faturando muito.

Eu disse MUITO.

Em 7 dias no cine Condor, faturou exatamente Cr$ 2.400.000,00 – Cr$ 900 mil a mais do que “Caçadores da Arca Perdida”, que ali, na primeira semana, rendeu Cr$ 1.500.000,00. As bundas de Gretchen e Rita Cadillac combinadas simplesmente deram um banho em Harrison Ford, Steven Spielberg e George Lucas.

Involuntariamente, o filme também ganhou fama por um motivo paralelo: O título deste filme sugere um dos maiores erros ortográficos já vistos no Cinema Brasileiro. O título correto seria Alugam-se moças, sendo inclusive objeto de questão em concurso vestibular da Fuvest. Mas o Professor Pasquale deu fim a essa palhaçada:

Há algum tempo, a Fuvest (que elabora o vestibular da USP) fez uma questão baseada no comentário de um jornal acerca do filme ‘Aluga-se Moças’, produzido em 1981. ‘O título traz um dos maiores erros ortográficos já vistos no cinema brasileiro’, afirmava o redator do artigo jornalístico. A pergunta da banca foi exatamente esta: ‘O comentário feito pelo jornal é justificável sob o ponto de vista gramatical? Por quê?’. Que queriam os examinadores? Que o candidato demonstrasse (não só, mas também) algum conhecimento de nomenclatura. Em ‘Aluga-se Moças’, não existem problemas ortográficos, ou seja, nenhuma palavra está grafada em desacordo com o sistema gráfico vigente. O desvio é de concordância (a construção predominante na língua padrão é ‘Alugam-se moças’), ou seja, o problema é de natureza sintática, e não ortográfica. Moral da história: a resposta ao primeiro item da questão é ‘não’.

O enorme sucesso do filme gerou a continuação Aluga-se Moças 2 em 1983, sem a participação de Gretchen e com cenas de sexo explícito enxertadas. P.S.: Ao contrário do que muita gente ainda teima em espalhar, A XUXA NÃO APARECE EM NENHUM DOS DOIS FILMES, CARALHO!!!!

Elenco : Gretchen, Rita Cadilac, Tânia Gomide, Índia Amazonense, Lia Hollywood, Maristela Moreno, Tina Rinaldi, Margareth Souto, Zaira Zordana, Liana Duval, Meire Ferro, Oásis Minitti.

janeiro
26
Um Pistoleiro Chamado Papaco (1986)
O Papaco vai papar seu cu!
Pistoleiro bissexual trajado de negro vaga pelo oeste americano (na verdade o interior de São Paulo) com um caixão que contém uma valiosa e cobiçada mercadoria. No meio do caminho, salva uma jovem de ser estuprada e leva-a consigo até a cidade de Santa Cruz das Almas, onde, entre uma ida e outra no bordel, duela com foras-da-lei, entre eles um xerife mexicano gay e um pistoleiro anão (obviamente o Chumbinho), que querem a qualquer custo sua mercadoria.

Um Pistoleiro Chamado PapacoSurpreendentemente bem-produzido, principalmente se considerarmos que esse é um filme de sexo explícito com cenas para ambos os gostos (se é que você me entende), “Um Pistoleiro Chamado Papaco” (na verdade o nome do protagonista é “Papacu”, mas devem ter achado que o trocadilho nada sutil poderia chocar alguém – afinal, só existem pornôs de nome casto) é uma bem sucedida incursão da Boca no Lixo no sub-gênero porn-western.

A cena inicial mostra que o filme já chega com tudo: um mexicano tentar matar Papacu, que rende o sujeito e, como punição, sodomiza-o a seco (cena não-explícita), apesar dos suplícios em portunhol do sujeito (“ay caramba, la se van las pregas!”). Depois a obra copia, praticamente na íntegra, a trama de Django, clássico spaghetti-western de Sergio Corbucci estrelado por Franco Nero. Depois de salvar uma jovem “estuprada” por três malfeitores (boto aspas pois ela parecia estar se divertindo bastante), Papacu segue para a cidade de Santa Cruz das Almas, a fim de de vender o misterioso carregamento que guarda dentro de um caixão. Na cidade todos os larápios e bandidos ficam de tomar posse do ataúde e partem pra cima de Papacu, que despacha todos num bem-realizado tiroteio. Porém, ainda há quem queira o carregamento de Papacu.

Um Pistoleiro Chamado PapacoPapacu segue para o bordel da cidade, onde ignora os pedidos da moça que salvou para dormir com ela, pois diz que o negócio dele é outro. Enquanto isso, o mexicano sodomizado por Papacu segue até o xerife da cidade, que não gosta de ser irritado enquanto pratica felação no seu namorado (cena explícita). Surge então a figura da rainha do crime da cidade (ou algo assim, o filme não explica direito), que contrata a gangue de Sartana para dar cabo em Papacu depois que ficou sabendo de suas peripécias por meio do caubói anão Big Boy (Chumbinho). Papacu cuida novamente dos malfeitores com facilidade, e, apesar de suas preferências homo-eróticas, é coagido pelas meninas do bordel a fazer uma orgia. Uma delas ao indagar se por acaso Papacu tinha mudado de time, se depara com a seguinte resposta da colega: “O ato não anula o fato, tem gente que corta pros dois lados”.

Como não sobraram pistoleiros na cidade a madame do crime se vê numa sinuca de bico, quando então o caubói anão Big Boy se oferece para trazer até ela o pistoleiro, em troca de, hã, digamos, favores carnais. Depois de finda a orgia no bordel, Papacu está exausto, e dorme tranquilamente de bruços. Big Boy, o cowboy anão, chega ao bordel e pergunta por Papacu, sendo ridicularizado pelas profissionais da casa, pois “baixinho só serve pra levar recado pra puta”.

Um Pistoleiro Chamado PapacoBig Boy, o caubói anão, mostra então sua faceta violenta e invade o quarto rendendo Papacu ao enfiar sua arma aonde a luz sol não chega. Rendido e levado até a madame do crime, Papacu faz sexo com ela (não há qualquer menção ao caixão, apesar de aparentemente este ter sido o motivo principal dos conflitos com Papacu) e Big Boy, o caubói anão, também cobra o que lhe foi prometido. O filme acaba com Papacu abrindo seu caixão, mostrando que dentro havia uma infinidade de vibradores e indo embora em direção ao ocaso.

O filme é diversão garantida para os entusiastas do estilo Boca do Lixo de pornochanchadas. Apesar de poucas piadas físicas (ao contrário de Fuk Fuk à Brasileira, por exemplo), os diálogos do filme são primorosos, cheios de trocadilhos, sotaques cômicos e impropérios até dizer chega. Os fãs de spaghetti-western vão se divertir catando as referências no filme, que é uma espécie de versão XXX de filmes como Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu.

Um Pistoleiro Chamado PapacoMas o mais legal de tudo, fora a participação do Chumbinho, lógico, é quem dá vida ao protagonista: ninguém menos que Fernando Benini, famoso por ter dirigido o fantástico “Programa do Bozo” (assim como houveram três Bozos, Benini em pessoa chegou a assumir temporariamente o papel do Papai Papudo – “que horas são? são cinco e sessenta!” – numa época em que o ator original, Gibe, andou doente e não pôde gravar), por levar uns pontapés nas pegadinhas do extinto “Topa Tudo por Dinheiro” e, mais recentemente, por sua participação no remake brasileiro da novela infantil CARROSSEL no SBT.

Ao contrário de Rony Cócegas (conhecido por seu personagem Galeão Cumbica, da “Escolinha do Professor Raimundo”), que fazia uma participação e a música-tema (“A Minha Sogra Em Rabada é Boa” – sacaram?) em outro clássico da Boca, Rabo I – Programado para Trepar, Benini antecipa os passos de Alexandre Frota e não só protagoniza o longa como manda ver também nas cenas de sexo explícito.

Texto: Diogenes L. Cesar

FILME COMPLETO

 

janeiro
09
Boca do Lixo – A Bollywood Brasileira

BOCA DO LIXO

Por um momento, falava-se que cinema brasileiro só tinha mulher pelada e palavrão. Os filmes não passavam de reles pornochanchadas, em sua maioria, produzidas porcamente no centro de São Paulo, numa área conhecida como Boca do Lixo. Declarações como estas comprovam a profunda ignorância e descaso com um dos períodos mais efervescentes do cinema brasileiro. Durante os anos 1970 e 1980, entre as ruas Vitória e do Triunfo, no bairro de Santa Ifigênia, foi quando e onde o Brasil mais se aproximou de uma indústria audiovisual.

Os filmes eram produzidos sem apoio de leis de incentivo e angariavam fortunas pelo país. Formou-se um star system tupiniquim, do qual despontaram nomes como Vera Fischer, Antônio Fagundes, Tarcísio Meira, Lúcia Veríssimo, Ney Latorraca, além de um rol de estrelas como Helena Ramos, Aldine Müller, Matilde Mastrangi, Nicole Puzzi, Neide Ribeiro, Claudete Jobert e tantas outras que, por anos, habitaram o imaginário masculino brasileiro.

A malícia existia em muito dos filmes, mas a diversidade de gêneros da produção da Boca do Lixo ia muito além das malditas pornochanchadas e até mesmo o cinema de sexo explícito que se tornou vigente nos anos 1980. Westerns, filmes infantis, religiosos, musicais, de horror, dramas existenciais… em seu período áureo, a Boca fez de tudo. E mais, foi um celeiro de artistas e técnicos que possuíam um quase inocente amor à sétima arte, cuja capacidade de realizar com engenhosidade para driblar minguados orçamentos devia ser obrigatória em qualquer curso de cinema.

A Boca era a Bollywood brasileira, e isso é mostrado através de quem estava lá, fazendo cinema na frente e atrás das câmeras. Ícones como Tarcísio Meira, Antônio Fagundes, Lúcia Veríssimo, Monique Lafond, Vera Zimmerman, Aldine Müller, Neide Ribeiro, Helena Ramos, David Cardoso, Débora Muniz, Adriano Stuart, José Miziara e muitos outros nos levam em uma maliciosa e bem-humorada jornada para contar como nasceu, viveu e morreu a Boca do Lixo: a Bollywood Brasileira.

DOWNLOADFICHA TÉCNICA


janeiro
04
A Quinta Dimensão do Sexo (1983)

5 Dimensao

Auxiliados pela lenta abertura da Censura, os filmes pornôs estrangeiros, produzidos aos montes na Europa e Estados Unidos desde a década de 70, finalmente puderam ser exibidos em nossos cinemas.

5 DimensaoInspirados pelo êxito obtido por essas produções, Raffaele Rossi e Laerte Callichio rodaram Coisas Eróticas em 1981, oficialmente o primeiro filme de sexo explícito nacional. Mesmo sendo uma porcaria, esse primeiro exemplar de sacanagem filmada e falada em português era novidade para o público. Por isso, 4,5 milhões de espectadores lotaram as salas de exibição para ver a fita, fazendo a fortuna dos diretores e colocando o filme entre as 15 maiores bilheterias do cinema brasileiro.

5 DimensaoA partir de então, começava o ciclo de produção em massa de filmes com sexo explícito, marcando o final da chamada Boca do Lixo paulista, que nas décadas de 60 e 70 foi responsável pela realização de dezenas de fitas de todos os gêneros, do faroeste ao horror – e não apenas pornochanchadas – sem o auxílio de leis de incentivo e trazendo excelentes resultados de bilheteria. Animados pelo baixo custo de produção e menor tempo de filmagem, vários diretores e produtores dos chamados filmes sérios aderiram à onda para sobrevivere começaram a rodar fitas pornográficas. Foi o que aconteceu com José Mojica Marins, mais conhecido pelo seu personagem Zé do Caixão.

5 Dimensao

Em 1983, Zé resolveu filmar um roteiro de autoria de Mário Lima, parceiro de longa data, associado a mais quatro pessoas, entre elas dois feirantes. A história era um drama erótico sobre dois estudantes de medicina que transam com várias mulheres, matando acidentalmente duas delas. Já nas cenas iniciais, percebe-se a paixão entre os dois, mostrada de forma velada, semelhante aos atormentados amigos e parceiros de crime em Festim Diabólico (1948), de Alfred Hitchcock.

5 DimensaoA princípio o filme não teria cenas explícitas, mas, por exigência da distribuidora, Mojica resolveu incluir 20 minutos de sexo explícito na montagem final, fazendo de A Quinta Dimensão do Sexo sua primeira incursão no mundo da pornografia, mas com um detalhe curioso: o filme era voltado essencialmente para o público gay. Isso em uma época em que nem se sonhava com a sigla GLS e pouca gente ousaria criar entretenimento para esse segmento. “A fita era uma homenagem a eles. Eu tenho um público gay que gosta dos meus filmes. Também queria homenagear Roque Palácio [apresentador de TV e co-produtor de filmes com Mojica], que era homossexual”, lembra Mojica.

5 DimensaoA trama do longa pornô era curiosa: cansados de serem ridicularizados pelos colegas de faculdade, que achavam que eles além de impotentes eram gays, Paulo e Norberto resolvem criar uma fórmula afrodisíaca que enlouquece a mulherada. Empolgados, raptam e seviciam duas garotas. Uma delas, ao conseguir escapar de seus seqüestradores depravados, é morta por uma cobra, enquanto eles dão boas gargalhadas e fritam uma omelete. Outra gosta mesmo da transa e morre de prazer na manhã seguinte. No final, os confusos rapazes percebem que essa bendita fórmula só serve pra causar problemas, e que gostam mesmo é um do outro. Mas é tarde demais: a morte das moças pôs a polícia em seu encalço. Perseguidos, o carro onde estão, cai acidentalmente de uma ribanceira e o casalzinho morre.

Considerando que tratava-se de um filme voltado para o público gay, por que Mojica não colocou cenas explícitas entre homens? “Preferi mostrar só o beijo e deixar o resto no suspense”, lembra Mojica. Uma idéia até acertada, pois se a Censura implicou com um beijo, imagine com dois homens transando. De qualquer forma, o filme foi um fracasso de bilheteria e nem chegou a pagar os gastos com a produção, ficando menos de um mês em cartaz. Na época em que foi lançado, A Quinta Dimensão não vingou ao tentar concorrer com Oh! Rebuceteio, de Cláudio Cunha.

5 Dimensao

O sucesso do filme de Cunha acabou tomando o lugar de A Quinta Dimensão no Cine Dom José, um dos preferidos pelos gays. “Transferido” para o Cine Windsor, o filme levou outro golpe de azar: quinze dias antes da sua estréia, a direção do cinema proibiu os gays de transarem dentro da sala de exibição. Resultado: a bicharada boicotou o cinema e preferiu ir fazer pegação no Dom José mesmo.

5 Dimensao

Apesar desse fiasco, o filme rendeu homenagens a Mojica. “Recebi um troféu, O gato gay de uma casa noturna, e um livro de poesias. Gays de todo o país apoiaram o filme”, afirma Mojica.

Após tanto tempo, Mojica ainda lembra uma última história interessante sobre a gravação do filme. “Precisava gravar um close da bunda de uma atriz sendo ‘ensanduichada’ pelo Márcio e o João Francisco”. Na hora de gravar, porém, a atriz sumiu do set. O que fazer? Um dos figurantes, dono de um traseiro invejável, topou substituí-la. O problema é que os atores, digamos, se empolgaram demais (leia-se ficaram com os paus duros), dificultando a realização da cena. Irritado, José Mojica Marins incorporou o Zé do Caixão e ameaçou, levantando um facão: “Vamos tratar de gravar logo essa cena, que hoje eu tô com vontade de comer pau à milanesa!”. Depois de tão sutil estímulo, os atores se acalmaram e a tal cena de nádega explícita pôde finalmente ser gravada.

Erik J. Borges

 



dezembro
29
Fuk Fuk a Brazileira (1986)

Fuk Fuk

Siri, um anão negro, feio, semi-analfabeto, mudo (mas dotado de telepatia) é adotado por um casal com certa quedas por orgias. Um dia a esposa se recusa a lubrificar seu ânus com margarina (só aceita manteiga), então o marido tenta sodomizar Siri, que escapa pela privada e vai viver uma verdadeira odisséia, com direito a lusitanos pan-sexuais, naves de formato fálico (ah, sim, esqueci de dizer que Siri também é um ET!) e um isopor térmico cheio de vibradores para satisfação auto-erótica.

Fuk FukVou tentar concientizar o leitor de meu entrave enquanto articulista: o que se pode comentar de um filme como Fuk Fuk à Brasileira? Citemos uma cena: passando por dificuldades financeiras, o anão Siri tenta vender alguns ítens de sua coleção de vibradores numa praia. Como Siri é mudo, ele explicita o que está vendendo através de cartazes recheados de impropérios. Um provinciano, ao ver tais cartazes, pergunta ao seu burro (dublado por Marthus Mathias, a voz do Fred Flintstone) se por acaso ele não gostaria de comprar um dos roliços objetos “pra fazer uma sacanagem da boa”.

Fuk Fuk

Obviamente não se trata de um filme para todos os gostos. Os não-familiados com esse tipo de cinema (as pornochanchadas que realmente levam seu prefixo à sério) com certeza irão estranhar (senão se abalar) com o estilo que filmes como esse ou No Calor do Buraco (cujo plano inicial era a de um homem – interpretado pelo próprio diretor do filme, o excepcional Sady Baby, famoso por afirmar que cafetinou a Felina/Big Brother argentina Antonella – copulando, explicitamente, com uma árvore). Mas quem deixar o bom senso (bem) longe irá se divertir com esse verdadeiro clássico do cinema hiper-underground brasileiro.

Fuk FukApesar de teoricamente um filme pornográfico servir como obra de excitação sexual através de cenas de cópulas explícitas, a única característica que faz de Fuk Fuk à Brasileira um filme pornográfico são suas cenas de sexo explícito, já que as piadas incessantes que permeiam o filme impedirão qualquer espectador de manter uma ereção. E bota piada nisso: desde o começo até sua conclusão, o filme não pára de destilar seu humor à toilet. Em menos de 10 minutos vemos um anão-cafetão contar (telepaticamente) a história de sua vida, quase estuprado por seu pai adotivo, descendo pela privada, chegando ao esgoto, recebendo um jato de urina de um mendigo bêbado e sendo confundido com um “frango de macumba” ao sair correndo nu pela rua…

Fuk FukE o filme mantém esse ritmo, mostrando que, Siri, o anão, depois de passar algumas desventuras nas ruas, numa pensão de um português bissexual, em um bordel e na casa de um pederasta típico de pornochanchadas, encontra finalmente a felicidade na brilhante conclusão do filme. Uma raça alienígena (que viaja numa nave que tem o formato de um pênis) ejacula no pequenino protagonista e ele descobre que essa “porra intergalática” é um poderoso afrodisíaco, passando então a vendê-la “aos broxas de todo o mundo”, como ele mesmo diz na narração do filme.

Uma curiosidade: Jean Garret foi um dos diretores dessa singular obra, oculto pelo pseudônimo “J.A. Nunes”.

Texto: Diogenes L. Cesar

BAIXE O FILME COMPLETO

Elenco: Chumbinho, Bianchina Della Costa, Lia Costa, Flávia Sanchez, Solange Dumont, Fátima Funny, Lilian Villar, Andréa Pucci.

julho
01
O pornozão do Tonho da Lua!

Tonho da Lua

Pois é: bem antes do ALEXANDRE Frota (que, aliás, também está nesse filme), o MARCOS Frota (não são parentes!), ex-marido da Carolina Dieckmann, também mostrou sua versatidade sexual nesse delicioso filme, uma das últimas -  e melhores – pornochanchadas já feitas, lançada em 1985 e dirigida por Ivan Cardoso e John Herbert. Se você curte tetas e bundas de celebridades, a fita traz ainda Carla Camurati, André Beltrão, Vera Zimmerman (Vera Gata), Carina Cooper, Vanessa Alves e a escultural Kátia Lopes. Clique na foto acima para baixar o filme, e divirta-se!

julho
24
RARIDADE – Festa na Boca, de Ozualdo Candeias

A face documentarista de Ozualdo Candeias, embora significativa na sua formação como cineasta e refletida de forma clara em filmes ficcionais como Aopção, ainda não foi analisada na devida conta. Festa na Boca, fita sobre a comemoração do final do ano de 1976 na rua do Triunfo, organizada por pessoas ligadas ao meio cinematográfico, apresenta ótima oportunidade para discutir esse lado menos conhecido da obra do diretor.

Em primeiro lugar, note-se que nos créditos o filme apresenta-se como “reportagem”, gênero com o qual Candeias trabalhou muito no início da carreira ainda nos anos 50 e que desapareceu das telas devido à concorrência do telejornalismo. Outrossim, Candeias desde o final dos anos 60 não apenas fotografava aquela região e o pessoal de cinema que por ali aportava, como já tinha feito dois curtas-metragens a partir desse material, ambos intitulados Uma rua chamada Triumpho.

Ora, a intimidade do realizador com a turma mostrada no filme retira de imediato da “reportagem” qualquer possível neutralidade. Ao invés de tentar disfarçar tal envolvimento, temos a representação exacerbada dessa intimidade pela forma como a locução refere-se a várias figuras presentes na fita, pelo comportamento bastante livre dos movimentos de câmera e pela ironia destilada das músicas. Momentos que poderiam descambar para o oficialesco, como a entrega de prêmios, acabam sendo especiais ao mostrar não apenas astros daquele período (Toni Vieira e Claudette Joubert), como ainda um assistente de câmera ou um chefe-eletricista felizes com o reconhecimento profissional expresso na singela medalha.

Sob o aspecto da intimidade e da leveza ao retratar o meio cinematográfico, Festa na Boca remete a outro filme, que apresenta um segmento totalmente diferente: trata-se de Cinema Novo, média-metragem de Joaquim Pedro de Andrade realizado para a televisão alemã em 1965. Uma última observação. Não é de menor importância o registro feito pelo filme de formas de sociabilidade que nos parecem tão distantes hoje: críticos de sólida formação intelectual, como Jean-Claude Bernardet ou Leon Cakoff, aparecem curtindo o mesmo ambiente de Cláudio Cunha e David Cardoso e das atrizes e técnicos das pornochanchadas. Só isso já indica a riqueza cultural e social do espaço da produção localizada na Boca do final dos anos 60 e de boa parte dos 70.

Arthur Autran

BOCADOLIXOCINEMA ou FESTA NA BOCA.  Não-ficção, 1976, 35 mm, P&B, 12 min

DOWNLOAD DO CURTA COMPLETO

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